
| Nº
180 |
Recife, 03 de Março de 2002 |
"Aqueles que utilizam
o seu tempo da pior maneira
são os primeiros a se queixar de sua brevidade."
Jean de La Bruyère, 1645-1696, escritor francês

O que é um site
- aproximações
"Tememos que a Internet seja irrepresentável, que a Web
seja oceânica e sem forma."
(Pierre Lévy - A conexão planetária)
Quanto mais leio sobre o assunto e lido com a multiplicidade
da Web, mais me salta à vista a figura fascinante deste
novo e estranho objeto de desejo - o site. Como o que
é novo costuma nos enfeitiçar, é preciso um esforço de
compreensão para que aproveitemos, sem maiores equívocos,
o imenso potencial que a inserção na Grande Rede pode
nos proporcionar.
Fragmentos da Web, os sites parecem espelhá-la como
verdadeiros microcosmos e interfaces. Todo site é, essencialmente,
uma interface, ou seja, lugar de troca, de passagem, de
tradução. Mas interface móvel, plástica. Sem mobilidade,
qualquer site é um arremedo da página impressa de Gutemberg.
O arsenal de recursos gráfico-visuais e a conseqüente
exploração desses recursos (sobretudo os que trazem animação)
dão aos sites a aparência de algo vivo. A aparência do
vivo na Internet (nova mímese a desafiar os estudiosos),
mais que uma qualidade, parece ser uma condição de sua
existência. A imitação do vivo, como sabemos, não se limita
aos aspectos visuais - dominantes, mas não exclusivos.
O vivo também se manifesta através dos sons, da música,
da voz. Ao contrário da página eternamente muda de Gutemberg,
as páginas dos sites podem ser fecundadas pelo som e pela
própria voz humana.
Essa potencialidade dos recursos sonoros e gráficos nos
sinaliza que um site é algo não apenas vivo, mas algo
a nos exigir criatividade, participação, interatividade.
Todo site depende de mim. De mim que o exploro, que o
navego, que me dou ou não ao direito de esgotá-lo. Daí
o caráter multifocal de um bom site. Com isso, temos agora
uma nova forma de leitura: não mais unidirecional, não
mais linear, não mais estritamente verbal. Por isso, no
que toca à comunicação escrita, um bom site nunca admitirá
a simples transposição digital de um texto previamente
escrito para outro ambiente. Começa, assim, a tomar forma
um novo uso da linguagem. Aos poucos, a tecnologia da
Web imprime a sua marca ao uso da palavra escrita. Recorrendo
ao hipertexto, a palavra também parece tocada de mais
vida. Luz, cor, movimento, links dão novas asas aos sentidos.
A interface texto/imagem (secularmente conhecida) assume
agora uma dimensão até há pouco inimaginável. Um bom site
(e isso é um evidente corolário) há de harmonizar a escrita
e a imagem e estas com o que vem se chamando web design
- a arquitetura do ambiente digital como um todo. Pessoalmente,
aprecio o uso do termo arquitetura, pois nos evoca um
complexo de elementos estruturantes subordinados à coerência
de um projeto estético. Mas é possível que termos assim
venham a ser substituídos no futuro, pois basta lembrarmos
que o nosso hoje banal automóvel também foi chamado de
"carruagem sem cavalo"!
A arquitetura enquanto metáfora nos lembra ainda a confluência
do simbólico e do material, da lógica e da arte. O site
seria talvez uma espécie de arquitetura viva. Creio não
ser demais a ênfase na vitalidade. Como na arte, não se
trata apenas de uma imitação da vida, mas de uma nova
vida que parece surgir. Por isso, não devemos subestimar
a complexidade de um bom site. Por isso, sua construção
deve ser preferencialmente coletiva, trabalhada em equipe.
Afinal de contas, não parece sensato que algo tão multifacetado
e polissêmico seja deixado ao sabor de simplismos individualistas
ou de compreensões equivocadas.
Por outro lado, não basta pensarmos o que queremos do
ou com o nosso site, mas sim pensarmos, sobretudo, o que
os outros podem querer dele. E sempre - é de se imaginar
- há muitas coisas a se desejar: informação, visibilidade,
serviços, diversão, arte, etc. Assim, é preciso ter em
mente, como nos recorda o "antropólogo do ciberespaço",
Pierre Lévy, que "Cada site é um agente de seleção, de
orientação, de hierarquização parcial". No oceano da Web,
como nos mares da vida, precisamos de rumo e de escolhas.
E que, diante das eventualidades, cada internauta possa
se fazer - como disse Nietzsche do próprio homem - um
"redentor do acaso".
Paulo Gustavo
Escritor e sócio da Consultexto,
(consultexto@uol.com.br)
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Não Deixe
de Ler
Usando Sistemas de Gestão Empresarial
Noções de Negócio - Usando Sistemas de Gestão Empresarial - ERP, de
José Bezerra Luna Filho (Editora Bagaço). O livro trata do Pirâmide
- Gestão Empresarial, sistema que integra os processos operacionais
e gerenciais da empresa em tempo real. Com a experiência obtida em centenas
de empresas onde implantou o Pirâmide, Luna Filho, consultor de negócios
da Procenge, aborda o assunto com objetividade, utilizando uma linguagem
bastante acessível. Apesar de utilizar o Pirâmide como referência, o
livro apresenta uma visão ampla sobre o tema, útil também a empresas
que usem outros sistemas de gestão, com o objetivo de integrar toda
a organização. Traz uma abordagem didática dos pontos críticos e das
preocupações que as organizações devem ter na integração de seus processos
operacionais e gerenciais.
Dica Importante
Administrando o E-mail e o Tempo
Ninguém duvida que o e-mail revolucionou a comunicação pessoal, trazendo
mais agilidade e praticidade ao dia-a-dia. Mas é preciso cuidado para
evitar que o grande volume de informações que chegam pelo correio eletrônico
termine roubando uma parte significativa do tempo do profissional, comprometendo
sua produtividade. Veja algumas dicas do consultor Mário Persona, autor
do livro Crônicas de uma Internet de Verão, para ajudá-lo a lidar melhor
com esses "ladrões de tempo" no ambiente de trabalho.
1. Cancele as assinaturas de boletins e listas de discussões que você
não lê.
2. Identifique pelo título os e-mails indesejáveis e delete-os sem pena.
3. Evite verificar seu correio eletrônico a cada cinco minutos. Salvo
em casos específicos, checar o e-mail duas vezes ao dia é suficiente.
4. Não perca tempo lendo um texto frase por frase. Aprenda a identificar
as palavras-chave e veja se o e-mail lhe interessa.
5. Não visite todos os links que você recebe pelo e-mail. Deixe isso
para os finais de semana.
6. Não abra links de cartões no horário de trabalho.
7. Crie filtros para jogar na lixeira tudo o que não lhe interessar.
8. Use etiquetas de prioridades. Assim, você pode encontrar rapidamente
as mensagens que exigem providências urgentes.
9. Não abra arquivos anexados que não estejam diretamente relacionados
com o trabalho.
10. Crie uma pasta com mensagens para ler depois do trabalho ou em casa.
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Você Sabia?
Os "Sem Tempo" Moldam a Demanda
O exército dos profissionais "sem tempo", em franca ascensão, está começando
a ditar as regras no varejo. Segundo dados do Instituto Nielsen, nos
últimos dois anos as vendas de chá pronto para o consumo cresceram 25%
e as do chá para infusão diminuíram 7%; pratos prontos congelados subiram
26,5% e semiprontos caíram 19,5%; leites com sabor aumentaram suas vendas
em 12%, enquanto os leites comuns recuaram 3%. Segundo informações da
Associação Brasileira de Supermercados - Abras, as vendas dos supermercados
de vizinhança cresceram cerca de 12% no ano passado, enquanto os hipermercados
amargaram uma redução de 8%. A explicação é que os consumidores estão
preferindo pagar um pouco mais para ter melhor atendimento, maior rapidez
e poder fazer suas compras perto de casa. Como já dizia o Professor
Peter Sealey em seu Simplicity Marketing, ainda não lançado no Brasil,
a nova geração de campeões será formada pelas marcas que proporcionarem
alívio para o stress dos consumidores, simplificando as suas vidas.
Fonte: Blue Bus

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