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176 |
Recife, 04 de Fevereiro de 2002 |
"Eu tenho um pouco de
dificuldade em distinguir trabalho de ócio.
Não posso ficar parado, catatônico. Mas ir ao cinema, para mim, é trabalho."
Chico Buarque, compositor brasileiro

Para
Melhorar a Comunicação Escrita
Com freqüência, perguntam-me - e com razão - o que se fazer
para melhorar a comunicação escrita. Há um sentimento de
urgência em pessoas e empresas. É como se quisessem buscar
um "tempo perdido". A urgência, ao que parece, não é senão
uma outra face da necessidade cotidiana e imperiosa de se
escrever e de se utilizar a língua como ferramenta de trabalho.
De saída, penso que é importante afastar qualquer ânsia
de "milagre", investindo no que é prioritário na relação
de cada um com a própria língua. Do "como uso a língua"
é que pode resultar o melhor treinamento. Descobre-se, lamentavelmente,
que a Escola não nos preparou para enfrentar as demandas
da realidade. O ensino, em vez de se ater às operações práticas
da vida, ateve-se tão-somente à expressão literária do idioma.
Nada contra a Literatura (como escritor, sou até insuspeito
para falar), mas é preciso reconhecer que ao mau ensino
da língua em si mesma se associou um uso que não é o cotidiano
e pragmático. Naturalmente, isso é fruto da formação sociocultural
do próprio País, embora não seja um mal irreparável.
Por uma questão didática, costumo simplificar a resposta
à tradicional pergunta: O que fazer agora? Digo que a língua
portuguesa, antes de tudo, precisa ser amada e que é preciso
melhorar a nossa auto-estima com relação ao idioma; em segundo
lugar, sugiro um treinamento adequado. Ora, se em todas
as áreas da vida profissional, há treinos específicos, por
que não no que toca à comunicação escrita? Digo "comunicação
escrita" de propósito e não "língua portuguesa", pois aquela
expressão tem implicações de sentido diferentes desta última.
Dependendo do contexto e da finalidade, a comunicação escrita
assume características muito peculiares. Por isso, não se
pode pensar em texto como algo monolítico, como uma família
em que todos tivessem a mesma fisionomia. Eis um engano
que a prática desmente. Há textos e textos e é preciso que
redatores profissionais ou não (digamos assim) se dêem conta
dessa numerosa diversidade. Eis por que um redator da área
jurídica, por exemplo, pode tropeçar na redação de um manual,
ou por que um criador publicitário não será necessariamente
um bom jornalista, ou por que um articulista da imprensa
pode não escrever uma competente carta comercial ou um simples
convite de casamento, etc.
O que outros consultores costumam observar (e eu próprio
endosso por testemunho pessoal) é que as empresas nem sempre
se dão conta da importância da comunicação escrita, a não
ser... na hora do prejuízo! O texto - quer seja o conteúdo
de um folder, quer seja uma simples (?) mensagem de e-mail
- tanto pode ser um facilitador da comunicação em sentido
amplo (marketing, vendas, etc.) como um obstáculo e um complicador
que leva a dissabores os mais variados, inclusive os financeiros.
Portanto, não há "milagres" e nem será do dia para a noite
que há de se aprimorar a comunicação escrita. É preciso
investir na capacitação de funcionários, sobretudo daqueles
que, por sua vez, tenham mais facilidade no uso da palavra,
porque também é preciso reconhecer, de forma franca e realista,
que, como acontece com outras tecnologias, a da escrita
jamais será fluente e "natural" para todas as pessoas.
Paulo Gustavo,
escritor e sócio da Consultexto
(consultexto@uol.com.br)
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O Que Quer
Dizer Mesmo?
Carnaval
Você sabe o que quer dizer carnaval? No dialeto milanês carnevale significa
"o tempo em que se tira o uso da carne". A maior festa popular brasileira
já acontecia desde a era cristã, na Itália. No início, era uma homenagem
à Saturno, com referência também aos deuses Baco e Momo, da mitologia
greco-romana. Durante a saturnália, acontecia uma aparente quebra de
hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos se misturavam
em praça pública. No início da era cristã, por determinação da Igreja
Católica, a festa, considerada mundana, passou a ser realizada antes
da Quaresma. Os italianos, então, adotaram a palavra carnevale, simbolizando
o hábito de extravasar os limites durante todo o período de festa.
Não Deixe de Navegar
Tire Sua Dúvida Cruel
Você sabe o significado dos naipes do baralho? Por que a lata de coca
light bóia e a de coca normal afunda? Como foi criado o teste de QI?
Como se coloca espuma de barbear dentro de uma lata de spray? Por que
os egípcios raspavam as sobrancelhas? As respostas a essas e centenas
de outras perguntas intrigantes - ou inúteis, dependendo do ponto de
vista - podem ser encontradas no site Que Dúvida Cruel! (www.duvidacruel.com.br).
As perguntas e respostas são divididas em oito categorias: Tecnologia;
Biologia; Marcas e Invenções; Costumes, Culturas e Mitos; Esportes;
História; Sexo e a mais que adequada "santa inutilidade". Também há
sistema de busca por palavra, indicação de livros sobre o assunto de
seu interesse e entrevistas - esta semana, por exemplo, um clínico geral
especializado em enxaqueca tira todas as dúvidas sobre o assunto. Um
site bem-humorado e, ninguém pode negar, muito informativo.
Dizem Que
Trabalho ou Lazer?
Contam que Pablo Neruda, o famoso poeta chileno, estava certo dia, de
manhã cedo, sentado no terraço de sua casa contemplando o horizonte
quando um vizinho que saia para o trabalho, ao passar pelo portão, perguntou:
"descansando, poeta?". Neruda respondeu: "não, trabalhando". Outro dia,
na mesma hora, o vizinho passando novamente pela frente da casa vê o
poeta aparando a grama do jardim e pergunta: "trabalhando, poeta?".
Resposta de Neruda: "não, descansando." Quando se trata de trabalho
intelectual (e, hoje em dia, poucos são os trabalhos que não podem ser
considerados de natureza intelectual), fica cada vez mais difícil distinguir
quando se está trabalhando ou se está descansando. Como o trabalho intelectual
ocorre dentro da cabeça do trabalhador, ele o carrega para todo canto,
até quando está dormindo. Por isso, é bom rever as convenções e aprender
a conviver com essa realidade que veio para ficar.


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