Nº 175 Recife, 27 de Janeiro de 2001

"Dentro de 10 a 15 anos, qualquer pessoa terá um computador.
Hoje, quantas pessoas têm televisão no Brasil? Quase todo mundo.
Em 10 ou 15 anos, os computadores estarão mais baratos que aparelhos de TV."
Alvin Toffler, futurista norte-americano, 06.10.99


Cidadania Empresarial: Isso Existe?

A responsabilidade social nas empresas pode ser compreendida sob três pontos de vista: o dos ideais, o das idéias e o das ações. Segundo Nílson José Machado, a cidadania advém da consonância entre o projeto social do indivíduo e o do coletivo ou da sociedade. Essa construção deve estar fundamentada em valores (não importa se derivados da religião, da filosofia ou de uma cultura familiar, mas que sejam únicos e que sejam seguidos) e norteada pela vocação de cada indivíduo.

A idéia de cidadania empresarial surge da aplicação do conceito de cidadania no âmbito empresarial. Transpondo a noção de cidadania para a realidade da organização, é fundamental construir instrumentos que viabilizem a articulação dos projetos da empresa com os da coletividade que a cerca. Espera-se de uma organização que ela perceba as necessidades do mundo, enxergando sua parcela de responsabilidade na construção da realidade social.

Saindo dos ideais e chegando às idéias, o modelo de Patrícia Ashley faz uma interface satisfatória entre a adaptação do conceito de cidadania e a sua concretização. Esse modelo concebe uma pirâmide a partir de quatro aspectos: o econômico, o legal, o ético e, finalmente, o de auxílio à sociedade, em colaboração com o seu desenvolvimento sustentado e com a manutenção das condições necessárias à vida (meio ambiente).

Antes de qualquer exemplo prático cabem algumas indagações: Qual a possibilidade de uma empresa instalada no Brasil seguir à risca o modelo proposto, alinhando seus próprios projetos e planos estratégicos com os da sociedade? Ainda dentro dessa perspectiva, o descumprimento de quais dos aspectos apresentados caracterizaria a organização como socialmente irresponsável? Qual o rigor desejado? A desvinculação do projeto individual em relação ao coletivo é suficiente para tal caracterização? Certamente respostas para questionamentos dessa natureza não surgem facilmente.

Dentre uma infinidade de casos contraditórios, alguns adquiriram indiscutível notoriedade. Inúmeras foram as reportagens, veiculadas em jornais, rádio e televisão, que denunciaram a poluição em praias e rios por "descuido" de uma grande empresa brasileira. Com menor freqüência, tem-se notícia da diversidade de projetos sociais patrocinados por essa organização - desde o fomento ao esporte, passando pela cultura e pela proteção ao meio ambiente, até campanhas para adoção de projetos sociais.

Como lidar com casos dessa natureza? Estaria essa empresa atravessando um purgatório em busca da redenção frente à sociedade? Ou poderia ser classificada como socialmente (ir)responsável? Qual o ponto de equilíbrio?

É certo que o modelo proposto mostra-se omisso ou incompatível com algumas situações reais. O sentido de utopia, entretanto, pode ser quebrado no momento em que se decidir transcender a comodidade da ética de convicção (para a qual conhecer o certo não garante ações efetivas) para uma ética de responsabilidade, em que a medida de crescimento está respaldada pela assunção da parcela de risco que cabe a cada indivíduo e, sobretudo, pela realização dos projetos individuais em sintonia com o projeto maior, numa ação coerente, sustentada e coletiva.

Flávio Gueiros,
consultor JCR & Deloitte Consultores
flaviogueiros@jcr.com.br





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Venda de Computadores pára de crescer

venda mundial de computadores pessoais teve, em 2001, sua primeira contração desde 1985, quando a indústria da informática ainda vivia sua infância. Segundo a consultoria Gartner Dataquest, foram vendidos 4,6% menos PCs no ano passado em relação a 2000. Os consumidores levaram para casa 128 milhões de computadores. Nos EUA, a queda foi acima da média. Houve uma diminuição de 11,1%, trazendo as vendas para 43,8 milhões. Segundo a consultoria International Data Corporation (IDC), o total de computadores vendidos nos últimos três meses do ano foi 6,7% inferior ao mesmo período de 2000. Entre os cinco maiores fabricantes de PCs, só a Dell conseguiu ampliar as vendas no último trimestre de 2001.
Fonte: Folha de S. Paulo

Agenda

Consultoria e Desenvolvimento Gerencial no INTG

O Instituto de Tecnologia em Gestão (INTG) promove, a partir de março, dois cursos de formação voltados para profissionais que buscam aperfeiçoar a sua competitividade. Consultoria e Desenvolvimento Gerencial oferecem uma base teórico-prática para um novo modelo de atuação profissional, mais estratégica e adequada às necessidades das empresas e organizações. Consultoria é destinado a profissionais com função técnica ou gerencial e visa capacitá-los para desempenhar, na prática, a atividade de consultores, colocando o seu conhecimento, efetivamente, a serviço das outras áreas e da organização como um todo. Desenvolvimento Gerencial busca capacitar gerentes para uma atuação mais estratégica dentro da empresa. Os dois cursos oferecidos pelo INTG têm como marca um modelo teórico consistente, aliado a uma proposta técnica vinculada à prática. A coordenação geral é da consultora Cármen Cardoso, da TGI Consultoria em Gestão. As inscrições já estão abertas. Mais informações no INTG, pelo tel.: 3076.5324.

Como Lidar com a Imprensa

Se o Repórter o Procurar, Atenda

Ninguém está livre de se tornar notícia, ainda que involuntariamente. Se a Imprensa procura por você, evitar o contato é péssima estratégia. Os repórteres são insistentes e a negativa de uma palavra, uma explicação ou entrevista, significa fugir, criando uma imagem muito ruim diante do interesse do público. A fuga pode ser interpretada como covardia, admissão de erros, incompetência, e é isso que vai virar notícia. A relação entre personalidades ou empresas e a opinião pública não é generosidade, é uma obrigação. Se falar não for possível, justificar por que não se quer falar é melhor do que deixar surgir uma aversão gratuita. Também não chame os jornalistas à toa. Se você não tem o que dizer, não desgaste uma boa relação com os veículos. Fonte: Quem tem medo da imprensa? (Regina Villela)






 
 




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