Nº 153 Recife, 26 de Agosto de 2000

"A adversidade devolve aos homens todas as virtudes que a prosperidade lhes tira."
Eugène Delacroix, 1798-1863, pintor francês



Arquitetura e Racionamento de Energia

   A necessidade de economizar energia está levando os arquitetos a desenvolverem soluções criativas para adaptar casas e escritórios aos novos tempos. Projetos de arquitetura e ambientação passam a priorizar o uso racional de energia e valorizar aspectos como o uso da luz natural e o aproveitamento da energia solar. "A crise de energia vai provocar uma transformação radical nas relações entre arquitetos, projetistas e clientes", diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura, Henrique Gambiaghi.

Como exemplo, ele cita o uso de geradores, antes restritos a edifícios de alto padrão e que, com a exigência de racionamento, passa a ser quase uma necessidade aos prédios de nível médio. "Uma das tendências que já começam a ser observadas é a utilização dos geradores não apenas nas áreas comuns dos edifícios, mas também nos apartamentos, para garantir o funcionamento de eletrodomésticos como geladeiras, freezers e computadores" .

Outra tendência, segundo Gambiaghi, é a utilização crescente da luminosidade natural nos projetos arquitetônicos. Em especial na Região Nordeste, onde a incidência de luz é alta durante todo o ano, casas, escritórios e apartamentos passam a ser projetados visando aproveitar ao máximo a luz solar. Isso significa menos ambientes fechados e mais contato com o meio externo.

Os projetos de iluminação também estão sofrendo o impacto do racionamento. Em casa, o ideal é adotar as lâmpadas eletrônicas florescentes compactas no lugar das incandescentes. Elas são 80% mais econômicas e duram até dez vezes mais. Nos ambientes de trabalho, devem predominar as lâmpadas florescentes tubulares e compactas - com uma mesma quantidade de luz é possível reduzir em um quarto o consumo de energia.

Entre as novidades que devem ganhar espaço nos projetos arquitetônicos estão os timers e os sensores de presença. O timer permite controlar a intensidade da luz ambiente e é uma maneira eficiente de evitar o desperdício. Pode-se ajustar o nível de iluminação de acordo com a necessidade. Já os sensores de presença começaram a ser adotados em escritórios e hotéis. Instalados em locais como banheiros e copas, eles permitem que a luz só acenda mediante a presença de uma pessoa no ambiente. Quando ela sai, o equipamento desliga-se automaticamente. Pelo menos em termos de iluminação e do uso de energia elétrica, existirá uma arquitetura antes e outra depois do racionamento de energia. A adversidade ensinará muito.



Conect@do


Como as Empresas Usam a Internet?

Uma pesquisa realizada pela Boucinhas & Campos junto a 250 empresas em todo o País mostra como elas costumam utilizar a Internet:
• o 30% usam a rede para pesquisa de preços;
• 20% para recrutamento de profissionais;
• 17% para análise da concorrência;
• 14% para compra de insumos;
• 11 para venda de produtos; e
• 8% para outros fins.
Fonte: Revista Exame

Agenda


Comunicação Interna

Estão abertas as inscrições para o curso "Comunicação Interna - Consolidando a Marca em Parceria com as Equipes", promovido pelo Instituto de Tecnologia em Gestão (INTG). O curso é destinado a gerentes, profissionais da área de recursos humanos ou que tenham sob sua responsabilidade a área de comunicação interna da organização. O curso irá abordar princípios e métodos para alcançar uma comunicação interna eficiente, transformando funcionários em parceiros da organização. Mais informações no INTG, pelo telefone. 3076.5324.


Lidando com a Imprensa


Sempre Atenda o Repórter

Ao atender um telefonema de um repórter, solicitando informações para uma matéria, muitas pessoas ficam sem saber como agir. O primeiro mandamento é atender sempre a Imprensa. Nunca se recuse a dar entrevistas, nem demore muito para retornar a ligação. Se, por acaso, o repórter solicitar dados, informações ou números que você não tem a mão, peça alguns minutos, cheque o que for solicitado e ligue de volta assim que possível. Lembre-se que tudo o que você disser estará publicado no jornal no dia seguinte. Informações imprecisas ou erradas podem gerar grandes transtornos.


Revisão, o Olho Vivo da Qualidade

"Ah, eu mesmo reviso!" Eis uma frase freqüente que sinaliza para duas coisas: uma positiva e outra negativa. A positiva é que reconhece a necessidade elementar de uma revisão, quer gráfica, quer textual. A negativa é que não reconhece que o próprio autor/redator, por mais competente que seja, é completamente suspeito para revisar a própria criação. Claro que pode e até deve revisá-la, mas há de compreender que sua revisão, por causa do seu próprio condicionamento, pode lhe valer muito pouco.

O revisor amador vive em todos nós, continuará vivendo e é bom que viva. Ele incorpora nosso senso crítico, nossa experiência, nossas informações. Portanto, todos somos revisores. Ninguém, de sã consciência, deseja errar, falhar, comunicar-se mal. E o revisor, o amador ou o profissional, é o amigo de que precisamos para uma interlocução que busque, acima de tudo, qualidade. Os países mais desenvolvidos, sobretudo os de cultura anglo-saxã, têm uma tradição que privilegia a revisão, o que os posiciona como excelentes e caprichosos editores. Para eles, o revisor sempre foi quase uma espécie de superleitor a quem se delegou a missão de zelar pela qualidade, conforme anota Alberto Manguel em seu excelente livro Uma história da leitura.

Prática multissecular, a revisão tem passado por sucessivas mudanças e impactos. Suas exigências profissionais marcharam de par com a tecnologia e a História. Se o espírito permaneceu o mesmo, mudaram substancialmente a forma e o aparato. No momento, por exemplo, com os avanços da Era Digital, o computador e seus recursos de edição de texto tornaram a revisão profissional mais exigente. Isso significa que a eliminação sumária de erros grosseiros de ortografia, digitação e concordância abre caminho para um desempenho mais intelectual do revisor. Por outro lado, a velocidade digital conspira contra o texto, favorecendo outros tipos de falhas, ambigüidades e sobressaltos.

Como olho vivo da Qualidade, a revisão profissional está atenta a um sem-número de pormenores (grafias, símbolos, abreviaturas, repetições, datas, pontuação, etc.) que, para o leitor apressado ou pouco exigente, podem passar despercebidos. Sua prática, através de uma leitura lenta, é, a rigor, um exercício de descondicionamento e desautomação. Além disso, se é de fato uma boa revisão, os aspectos comunicativos do texto devem ser privilegiados em detrimento da mera gramatiquice ou do purismo vernacular, isso, claro, variando de acordo com o contexto e o meio (impresso, anúncio, livro, etc.) em que se faça a revisão.

A revisão traz também outro benefício: diminui a solidão do redator. Por isso, não se trata, como habitualmente se pensa, de ver e apontar "erros" por toda parte. Afinal de contas, todo redator sabe que o plano da expressão, ao contrário do que foi ensinado na escola, é que é o essencial. Mas esse é mais um motivo por que também textos de bons redatores precisam de uma revisão profissional. Com ela ou por causa dela, eles estarão mais livres e soltos para criarem, mais seguros para publicarem. O olho vivo da qualidade sempre pode aprimorar diversos tipos de trabalho e, o que é melhor, evitar prejuízos financeiros e dissabores os mais variados.

Paulo Gustavo,
sócio da Consultexto




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