Nº 149 Recife, 29 de Julho de 2000

"Quem decide pode errar. Quem não decide já errou."
Herbert von Karajan, 1910-1991, maestro austríaco



Cuidando da Saúde da Empresa

    Para ser competitiva, bem-sucedida, capaz de conviver com as oscilações do mercado e diferenciar-se em meio a uma concorrência cada vez mais acirrada, uma empresa precisa ter, antes de tudo, uma saúde de ferro. Tornar ou manter a organização saudável exige uma preocupação permanente com alguns aspectos essenciais, como as finanças, a imagem, a produção técnica e a qualidade da equipe de trabalho. "Se algum desses quatro pontos não estiver bem cuidado, a empresa fica vulnerável a uma série de 'doenças' que podem comprometer sua competitividade", afirma a consultora Fátima Guimarães, da TGI Consultoria em Gestão, integrante da Rede Gestão.

Ter uma despesa maior que a receita é um dos sintomas que podem ser fatais. Por isso, segundo a consultora, o planejamento financeiro é o primeiro mandamento a ser seguido por uma empresa que pretende manter-se saudável. "É fundamental ter fluxo de caixa equilibrado, reserva financeira, rentabilidade, baixa inadimplência e adotar um controle rigoroso das despesas", observa. Sem isso, dificilmente a empresa terá condições de crescer, por mais eficiente que seja em outras áreas.

Gerenciar de maneira eficaz a imagem da empresa no mercado é outra medida necessária. Com isso, pode-se evitar riscos como a superexposição, a "queima da imagem" ou, em contrapartida, a pouca visibilidade. "Manter uma boa relação, pautada pelo respeito e pela ética, com clientes, fornecedores e concorrentes, é uma maneira adequada de zelar pela sua imagem", exemplifica Fátima.

Problemas com a produção técnica da empresa, como a queda no padrão de qualidade, defeitos no produto ou defasagem tecnológica também devem ser alvo permanente de prevenção. Depois que surge, esse é o tipo de "doença" que pode comprometer, de maneira irremediável, a imagem da organização. Para a consultora, a "profilaxia" passa por atitudes como o estímulo à produção e disseminação do conhecimento, a atualização tecnológica, a boa comunicação com o mercado, o rigor metodológico e a sustentação de um alto padrão de qualidade técnica.

Por fim, para ter saúde, uma empresa precisa estar sustentada por um relacionamento interno igualmente saudável. Para isso, é preciso investir na valorização dos empregados e técnicos, estimulando o envolvimento e a motivação. "Os funcionários precisam engajar-se no projeto empresarial e, sempre que possível, participar dos resultados, com acesso à avaliação e ao acompanhamento".



Desmontando o Mito


Pode-se Começar Errando, Sim

Mito: Para começar uma nova empresa é preciso ter uma grande idéia. Antimito: Não é obrigatório começar um negócio muito bem, muito menos com uma idéia absolutamente genial, original, brilhante. Algumas empresas até começam mal e, com a experiência, vão fazendo os ajustes necessários. Pode-se, mesmo, começar com alguns erros: o essencial é o desempenho de longo prazo.

Na Ponta da Língua


Nunca Diga "a nível de"

Além de modismo, a expressão a nível de é completamente errada, inexistente (!) e desnecessária. Tornou-se uma praga altamente contagiosa, capaz de seduzir os intelectos mais robustos ou desavisados, e um vício difícil de combater. Algumas observações sobre o fenômeno:
1. A verdadeira expressão portuguesa é ao nível de, isto é, à mesma altura, não significando mais do que isso.
2. A expressão incorreta é, algumas vezes, inútil, podendo ser eliminada sem prejuízo do sentido da frase ou podendo ser substituída por outra forma de dizer. Exemplos: (1) A pesquisa mostrou estabilidade nos preços tanto a nível de atacado quanto no varejo. - A pesquisa mostrou estabilidade nos preços tanto no atacado quanto no varejo. (2) Votação a nível de congresso. - Votação do congresso. (3) A nível de região... - Em termos regionais... -- Quanto ao que acontece na região... (4) A nível de eleição... - Com relação à eleição... (4) A nível gerencial, ninguém se importa... - No nível dos gerentes; quanto à gerência, etc. (5) A nível de introdução... - Como introdução...



Não Deixe de Ver


Casablanca

Para sentir o clima da Segunda Guerra Mundial, não é preciso ver as cenas realistas de O Resgate do Soldado Ryan. Assista ao clássico Casablanca, de Michael Curtiz, com um elenco composto por atores de várias nacionalidades que, por si só, simbolizam os povos em conflito; a guerra é vista através dos freqüentadores de um bar, o Rick's, onde estão as músicas do tema romântico As Time Goes By à Marselhesa, o emocionante hino nacional francês; a luta pela fuga para a liberdade entre Victor Laszlo e o oficial nazista; a corrupção e o arrependimento patriótico do capitão Renault e o triângulo amoroso entre Rick Blaine, Ilsa Lund, e Victor Laszlo. Apesar de ser um filme simples, é considerado o clássico dos clássicos. Uma excelente pedida.
Fonte: Universo On Line


Tecnologia de Atendimento (3/4) Planejando o Atendimento

O Planejamento do Atendimento é uma etapa fundamental na prestação de serviços. O planejamento é o meio para ordenar a ação e programar a construção do futuro, à medida que isso seja possível. O básico do exercício de planejamento estratégico de uma ação, no caso de uma ação de atendimento, faz-se em quatro tempos, mesmo que eles sejam quase simultâneos e, mesmo, que, nem sempre, de forma consciente.

(1) Avaliação estratégica, quando se considera o conjunto das forças e dos movimentos que podem influenciar e determinar a ação desejada, sejam positivos ou negativos. Deve-se avaliar tanto as forças e fraquezas internas, quanto as oportunidades e ameaças externas. A partir desses indicadores, é importante definir qual o principal (2) desafio a ser enfrentado durante o processo de construção da relação de atendimento. O desafio representa uma espécie de síntese entre a atratividade do objeto pretendido (o que motiva a investir) e as exigências que se colocam (condicionantes, limites, concessões, etc.).

(3) Definir as prioridades e o modo de fazê-las acontecer constituem a estratégia de ação, isto é, o conjunto das atividades e interações necessárias para executar aquilo que não pode deixar de ser feito pelo atendimento. Por fim, define-se a (4) programação do que não pode deixar de ser feito, estabelecendo detalhamentos de como vai ser feito, quem vai fazer, quando vai ser feito e quanto vai custar.

Nessa perspectiva, é preciso quebrar a lógica do processo em etapas, introduzindo uma lógica de simultaneidade - podem ser feitas várias ações ao mesmo tempo, tendo delas uma visão articulada e integrada. À medida que elas se desenvolvem, uma afeta a outra e vão sendo aperfeiçoadas na prática.

Também é fundamental lembrar que definir prioridades é fazer escolhas e selecionar o que é mais importante e, em alguns casos, o que é vital. Nunca pode ser uma listagem sem hierarquia de tudo aquilo que, em tese, poderia ser feito. Eleger muitas prioridades é, na prática, não ter prioridade nenhuma.

Tão importante quanto a formulação da estratégia do atendimento é o seu acompanhamento, feito através da monitoração. Monitorar significa manter o planejamento sempre atual, consistindo em vários focos simultâneos: acompanhar o que está sendo feito, avaliar resultados e fazer os ajustes necessários à ação planejada, ou seja, controlar o processo de atendimento, de modo a assegurar a consecução dos resultados pretendidos.

Nem sempre, na ação de atendimento, é possível seguir esses passos, um a um, mas sempre que houver oportunidade, a qualidade do atendimento melhora substancialmente.




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