Nº 148 Recife, 22 de Julho de 2000

"Depois de ultrapassar a etapa do aprendizado, o trabalhador de conhecimento
precisa saber mais sobre seu trabalho do que seu chefe sabe."
Peter F. Drucker, guru dos gurus da administração



Alavancando Mudanças pelo Aprendizado

    Programas de mudanças nas organizações costumam despertar, nas equipes de trabalho, reações que vão da apatia ao fanatismo. Basta serem anunciados para surgir um dualismo latente de liberais e conservadores, revolucionários e resistentes. Alguns dos mais ardorosos defensores do status quo, paradoxalmente, são favoráveis às necessidades de mudança. Na verdade, tornaram-se céticos por terem vivenciado iniciativas malsucedidas de Gestão de Qualidade Total, Reengenharia, Emporwerment, Implantações de ERPs e tantos outros processos. Um estudo realizado em Harvard, no final dos anos 90, revelou que em mais de 50% dos casos os projetos de mudanças não passam das fases iniciais. "O principal alvo das críticas, no entanto, não é o objetivo das medidas propostas, e sim a forma com que estas são conduzidas", analisa o consultor da JCR & Deloitte, Anderson Arante.

Que fatores seriam determinantes, então, para definir estratégias de alavancagem de mudanças bem-sucedidas? "No modelo normalmente adotado, as mudanças são impostas de cima para baixo e o processo decisório freqüentemente resulta de alternativas apresentadas por algum líder local ou um facilitador externo", afirma Arante. Embora seja uma iniciativa adequada para os casos de reorganização ou de implementação de estratégias empresariais, há uma desvantagem. "Basta ocorrer troca na liderança, reveses ou resultados não alcançados para que todos os esforços venham por água abaixo, ressuscitando práticas, comportamentos e sistemas anteriores em toda a sua força".

A participação plena dos profissionais envolvidos, por meio de líderes - hierarquicamente legitimados ou não - em todas as áreas da empresa é, na opinião do consultor, a chave da questão. "A aquisição do conhecimento pelos indivíduos ao longo de todo o processo constrói uma base sólida para as transformações futuras." As medidas são projetadas e implementadas por equipes formadas em pequena escala, no início, e depois, com um número crescente de pessoas, que articulam metas e discutem os resultados entre si. "A empresa torna-se então uma incubadora de líderes, cujos papéis são de fundamental importância nos objetivos traçados." Nesse tipo de mudança, caso um dos patrocinadores ou líderes "desapareça", a iniciativa continua gerando um ciclo virtuoso de transformações.

Segundo o consultor, é crescente o número de grandes corporações que percebem que alavancar mudanças bem alicerçadas é um trabalho contínuo de inovação e aprendizado conjunto de pessoas motivadas, que sabem aproveitar oportunidades e o potencial de seus colaboradores. "Numa época em que equipes estupendas representam uma espécie de Santo Graal para as empresas, a formação de líderes, o desenvolvimento de novas competências e o comprometimento real certamente contribuirão para a criação de uma vantagem competitiva ímpar, um ponto de apoio capaz de mover o mundo dos negócios."



Você Sabia?


Homens Inadimplentes

Na hora de pagar as contas, os homens perdem para as mulheres. Pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo mostra que 77% dos inadimplentes junto ao Serviço Central de Proteção ao Crédito são homens. Desse total, a grande maioria (78%) tem idade entre 21 e 40 anos. Segundo a pesquisa, os consumidores atribuem principalmente ao desemprego a responsabilidade pela inadimplência.

Dizem Que


Cuíca do Mundo

Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais durante o Estado Novo, era conhecido por ser uma pessoa de poucos dotes intelectuais, embora fosse considerado um político sagaz. Conta o folclore político que, certa vez, convidado para inaugurar uma mineração, pediu à assessoria que lhe preparasse um discurso para ser lido no evento. Já discursando, sem ter tido tempo de fazer uma leitura prévia, disse: "... temos o prazer de estar hoje, aqui, na maior província mineral do Brasil, cuíca do mundo ...". Ninguém entendeu. Terminada a cerimônia, foram reler o discurso para ver o que tinha acontecido. Estava escrito: "... maior província mineral do Brasil, quiçá do mundo...". Ele não conhecia a palavra, sinônimo erudito de talvez, e introduziu o instrumento musical na história. Lição empresarial: é importante, sempre, fazer uma prévia dos conteúdos a serem trabalhados para não correr o risco de trocar os instrumentos e atravessar o samba.

O Que Quer Dizer Mesmo?


Low Profile

Pronuncia-se "lôu profaile". Ter um estilo low profile significa adotar a discrição como linha de conduta. É sinônimo de evitar exageros, manter-se longe dos holofotes, trabalhar à sombra ou aparentar menos do que realmente é, dependendo do contexto em que for usado. Normalmente, tem uma conotação positiva.


Tecnologia de Atendimento (2/4) Analisando a Demanda

Toda situação de atendimento é complexa, mesmo que, à primeira vista, pareça simples. Todavia, apesar disso - característica própria de uma realidade multifacetada, diversa, multiarticulada - ela não precisa ser necessariamente complicada. Para dar conta dessa complexidade, o primeiro cuidado a ser tomado pelo prestador de serviço é a Análise da Demanda.

Analisar a demanda significa entender e compreender as condições que originaram o pedido da prestação de serviços. Para isso, considera-se, de partida, que é preciso compreender a dinâmica básica da demanda, expressa numa articulação entre três pontos: a demanda propriamente dita ou o pedido (aquilo que o cliente pede), o desejo (o que o cliente quer, ou seja, aquilo que mobiliza seu interesse ou motivação) e a necessidade (o que o cliente precisa que seja feito para resolver o problema que levou a formular a demanda).

Em relação ao pedido, é preciso procurar traduzir, da forma mais fiel possível, o que o cliente está dizendo. Em relação ao desejo, o fundamental é procurar interpretar a partir do que é dito e do que fica subentendido ou oculto, a parte da demanda que não é ou não pode ser explicitada. No que diz respeito à necessidade, o essencial é propor algo adequado à realidade do cliente e não receitas ideais, por mais atraentes que isso possa ser para o consultor.

Considerando que atendimento trata, essencialmente, de relacionamento, há algumas recomendações que podem ajudar a adotar uma postura facilitadora, desde esse momento inicial da relação de atendimento. (1) Tentar ver o problema com os olhos do cliente, ou seja, apreender seu ponto de vista, compreendendo suas referências, suas necessidades, exigências e expectativas. (2) Usar a mesma "escala" do cliente para dimensionar os problemas, (3) ponderar com sua própria "escala" (a do prestador do serviço). (4) Evitar preconceitos e generalizações em relação ao cliente, à sua atividade e ao problema que ele apresenta. (5) Prestar atenção ao discurso "circulante" - aquilo que é dito fora das situações formais (reuniões ou entrevistas), aquilo que é falado nas conversas de corredor e nos comentários.

Por fim, é fundamental, para um bom atendimento, reduzir as expectativas sobre o cliente, como, por exemplo, a de que ele "saiba o que quer", "seja claro e objetivo", "não crie dificuldade" ou qualquer ilusão semelhante. Isso significa esperar que o cliente seja apenas cliente. E ser cliente significa ter problemas, precisar de ajuda, ter dificuldades para fazer acontecer as soluções, ter contradições, ser gente, enfim.




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