Nº 147 Recife, 15 de Julho de 2000

"O cliente não compra produtos, e sim soluções de problemas."
Theodore Levitt, autor de Miopia em Marketing



O que os consumidores esperam mesmo?

     No cenário cada vez mais competitivo em que se encontram as empresas, é fundamental tentar entender o que os consumidores realmente esperam dos produtos. Essa é a única maneira de desenvolver produtos que, de fato, satisfaçam as expectativas dos compradores, de prever tendências e antecipar-se a elas. Durante muito tempo, o foco dessa questão centrou-se no tripé características-utilidade-preço - uma abordagem baseada na visão utilitarista do consumo da escola da Economia. Apesar de importante, essa interpretação não é mais suficiente, hoje, para compreender esse fenômeno.

"Theodore Levitt, autor do clássico artigo Miopia em Marketing, propôs, há mais de vinte anos, que os produtos são, na verdade, um pacote de benefícios. Ou seja, os produtos e suas características intrínsecas não são importantes por si próprios, mas pelo que podem propiciar", explica o professor da Faculdade Boa Viagem, André Leão. Esses benefícios podem ser percebidos desde o resultado real de uma característica de um produto - um documento redigido num processador de textos - até a decorrência indireta de seu uso: chamar a atenção pela roupa que se está usando.

Segundo o professor, uma nova contribuição tem sido dada, recentemente, para a interpretação desse fenômeno: o conceito de valor do cliente. Se características de produtos são importantes pelos benefícios que geram, então por que esses benefícios são importantes? "As pessoas vão atribuir valor a um produto quando encontrarem nele a resposta aos seus próprios valores - o valor do cliente".

Para explicar a complexidade dessa relação, André Leão cita um exemplo prático. Ao ser perguntado por que escolhia um carro Audi, um cliente afirmou que os automóveis dessa marca oferecem mais segurança (benefício). Questionado sobre a importância de um carro seguro, a resposta foi esclarecedora: "Porque amo minha família". "Isso inverte o ângulo de análise do fenômeno. A importância central não está nos freios ABS, que propiciam segurança, mas no fato de um determinado público demonstrar o seu amor pela família por meio da escolha de um carro com características que o levam a crer que estão comprando um produto que oferece segurança."

Para o professor, as organizações precisam estar atentas ao conhecimento dos consumidores e do que eles valorizam como meio de sempre lhes fornecer os produtos adequados. Se, por um lado, parece ser difícil conhecer os valores de seus clientes (e pesquisas podem dar essa resposta); por outro, é muito mais fácil desenvolver produtos de sucesso quando se detém tal informação. "Não só as montadoras, mas várias outras organizações, como companhias de aviação, construtoras e bancos também podem se beneficiar ao saber que seus clientes esperam produtos que ofereçam segurança porque 'amam sua família'. "



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Inovação Contínua

Liderando a Revolução (Editora Campus), de Gary Hamel, co-autor de Competindo pelo Futuro, professor de Gestão Estratégica Internacional da London Business School e pesquisador emérito da Harvard Business School. É um instigante convite à reflexão com que se defrontam as empresas hoje em dia - reinventar a si mesmas continuamente. Baseado em estudos de casos reais, o livro detalha as iniciativas que transformam a inovação em capacidade duradoura das empresas.

Agenda


Formação de Consultores

Estão abertas as inscrições para o Curso de Especialização em Formação de Consultores Empresariais realizado pela JCR & Deloitte. Informações e inscrições: www.jcr.com.br ou pelo telefone (81) 3465-8080.

Tecnologia do Gesso

O Sindusgesso, junto com a JCR & Deloitte, estará realizando nos dias 23 e 24 de julho, no Centro de Convenções da UFPE, o I Simpósio Contec - Convergência de Tecnologias do Gesso, que contará com nomes importantes do cenário da Construção Civil e trará os principais cases do mercado brasileiro. Informações e inscrições: www.jcr.com.br ou pelo telefone (81) 3465-8080.

Conect@do


Ligado no E-mail

Pesquisa do Gartner Group revela que 42% dos entrevistados checam seus e-mails durante as férias. Além desses workaholics, 23% não se desligam do trabalho mesmo durante o final de semana. O levantamento mostra que 64% dos entrevistados consultam seu e-mail várias vezes durante o horário de trabalho. Desse total, 34% faz a checagem até seis vezes ao dia.


Tecnologia de Atendimento (1/4)
Os Quatro Traços da Prestação de Serviços

Há quatro traços importantes que distinguem uma efetiva cultura de prestação de serviços: a atitude de parceria, o posicionamento básico de compromisso com o cliente, a busca contínua de qualidade e o foco na produção de resultados efetivos.

Desenvolver uma atitude de parceria significa assumir que o prestador de serviços não trabalha só. Ele e o cliente são interdependentes e essa interdependência é condição indispensável para o resultado final da ação. Ambos têm que estar envolvidos e tem que interagir estreitamente na compreensão do problema a ser resolvido (incluindo o diagnóstico da situação), no esforço de formular soluções e na busca dos resultados desejados.

A ênfase num posicionamento de compromisso com o cliente aponta para o fato de que o atendimento está, inapelavelmente, a serviço de, ou seja, o prestador de serviços trabalha principalmente para atender às necessidades de outra pessoa, não só em função de seus próprios interesses e de suas necessidades. E isso representa um trabalho direcionado para as necessidades do cliente, fundamentado sobre um acordo de interesses, no qual se explicitam as finalidades e os resultados desejados, para ambas as partes.

A busca contínua da qualidade significa ter que procurar, incessantemente, a excelência, implicando essa excelência um macroconceito de qualidade em que se inclui não só a especificação técnica do serviço, mas, também, prazos, custos, adequação às finalidades previstas e satisfação do cliente.

A obrigatoriedade de focar o trabalho na produção de resultados efetivos e não perder de vista esse alvo significa que a prestação de serviços deve, sempre, trazer resultados com efeitos visíveis para o cliente e que sejam, o mais possível, associados com a estratégia de crescimento e consolidação da organização à qual o cliente do prestador de serviços pertence.

Nesse caso específico dos resultados, há uma peculiaridade a destacar - o saber do prestador de serviços não pode ser ancorado apenas em posições teóricas sem conexão direta com a realidade do cliente. No uso de seu conhecimento técnico, o profissional não pode, em nenhuma hipótese, dar pretexto para o cliente fazer uma imagem de que ele "sabe muito, mas é pouco prático". "Sabedoria", no caso, pode até dar charme, mas não produz, necessariamente, resultados e é sobre os resultados que se vai assentar a consistência do atendimento.




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