Nº 138 Recife, 13 de Maio de 2000

"Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio."
Sigmund Freud, 1856-1939, psicanalista austríaco


A Moda dos Estrangeirismos


Entrega em domicílio virou delivery. Nas vitrines, a liquidação é anunciada como sale. Nem o popular campeonato de futebol resistiu, e foi invadido por expressões como play-off. Se no dia-a-dia o uso de palavras em inglês é um hábito comum, no ambiente corporativo os estrangeirismos já podem ser considerados uma verdadeira epidemia. Quem nunca ficou em dúvida ao ouvir termos como target, start up, follow up, heavy user, prospect, branding, spread, empowerment, outsourcing, entre tantos outros que povoam o cotidiano das empresas e organizações? "Não é o caso de sermos nacionalistas ou xenófobos, rejeitando contribuições da língua inglesa, mas é aconselhável avaliar se o uso exagerado dos estrangeirismos não está comprometendo a eficiência da comunicação", alerta o consultor Paulo Gustavo, da Consultexto, integrante da Rede Gestão.

Ao revisar um material publicitário produzido por um cliente, há pouco tempo, Paulo Gustavo surpreendeu-se com o excesso de palavras em inglês. "Eram tantas que questionei se o público-alvo conseguiria compreender corretamente a mensagem", conta. Há casos que já viraram piada, como o diretor executivo de uma empresa local que não conseguia pronunciar corretamente o cargo de Chief Executive Officer (CEO) impresso em seu cartão de visitas. Constrangido, pediu para reassumir a antiga função em bom português.

O fato é que, em alguns casos, o uso indiscriminado de termos estrangeiros pode atrapalhar a eficiência e a competitividade de uma organização. "Será que ao colocar uma placa, identificando-se como drugstore, a farmácia está adotando uma estratégia de comunicação adequada à sua clientela?", questiona o consultor. No mesmo caso encontram-se as lojas que substituem a entrega em domicílio pelo pedante delivery. Nos dois exemplos, a adoção do estrangeirismo em nada contribui para tornar a comunicação mais eficiente.

Para o consultor, por trás do uso excessivo de palavras em inglês esconde-se a falta de auto-estima dos brasileiros com a sua língua e sua cultura. O dono da loja acredita que o sale confere status e um ar mais sofisticado à sua liquidação. A língua, desta forma, é usada mais para passar uma imagem elitizada do que para comunicar. "Os estrangeirismos, nesse caso, apontam para a discriminação social, agravando-a ainda mais", observa Paulo Gustavo. "A maior parte das pessoas não compreende a mensagem e fica à margem do processo de comunicação."

Um polêmico projeto de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B/SP), em tramitação no Congresso Federal, pretende coibir o uso abusivo de termos estrangeiros, atingindo em cheio setores como a Publicidade. "Além de dificultar a comunicação, o uso indiscriminado da língua inglesa constrange quem não a domina", justifica o deputado. Para Paulo Gustavo, esse problema não se resolve por meio de leis ou decretos. "Trata-se de uma questão de atitude e de bom senso."



Conect@do


Crescimento das Pontocom

Na contramão da crise das empresas pontocom, um estudo do Boston Consulting Group (BCG) revelou que as vendas de varejo on-line nos Estados Unidos devem chegar a US$ 65 bilhões em 2001, registrando um crescimento de 45% sobre os resultados do ano passado (US$ 44 bilhões). De acordo com a pesquisa, essas empresas norte-americanas conseguiram reduzir suas perdas e atrair mais consumidores, mesmo com a crise na economia do país. O setor que lidera, puxando o crescimento das empresas, é o de viagem, que gerou US$ 13,8 bilhões em 2000 e deve crescer 50% até o final deste ano.
Dica Importante


Estímulo aos Funcionários

Veja abaixo Dez Atitudes que Estimulam os Funcionários, extraídas do livro Torne-se um Líder Eficaz, de Sam Deep e Lyle Sussman.
1. Elogie seus funcionários - A maioria das pessoas quer agradar ao seu chefe, mas a maioria dos chefes não faz esforço algum para dizer o quanto se sentem satisfeitos com os seus funcionários. Elogie, cumprimente, parabenize e comemore as conquistas de seus funcionários.
2. Permita que desfrutem de amplo reconhecimento - Quando o desempenho de seu pessoal for excelente, permita que recebam todas as honras.
3. Atribua-lhes tarefas estimulantes - Tente atribuir às pessoas as tarefas de que elas gostam.
4. Proporcione-lhes colegas de trabalho estimulantes - Contrate pessoas interessantes, capazes de desafiar seus colegas de trabalho com idéias estimulantes.
5. Estimule um clima de inovação - Diga aos funcionários que deseja ouvir suas idéias mais inusitadas e loucas.
6. Anime-se - Mostre às pessoas o quanto gosta de seu trabalho. Fique especialmente animado com o sucesso delas. Seja seu chefe de torcida e maior fã.
7. Convença-os de que são importantes - A maioria das pessoas quer acreditar que está contribuindo positivamente para uma meta importante. Mostre-lhes a importância de seu trabalho.
8. Ajude-os a crescer - O trabalho é estimulante quando ajuda você a crescer. Delegue responsabilidades cada vez mais desafiadoras a seus funcionários.
9. Forme equipes autodirigidas - As equipes de trabalho autodirigidas podem ser altamente motivadoras. Os funcionários que antes esperavam que os gerentes lhes dissessem o que fazer se transformam em pessoas com iniciativa própria, estimuladas pelo sucesso de sua equipe.
10. Estimule a competição - Quando as equipes de trabalho são impulsionadas, o espírito de competição saudável pode gerar melhores resultados.

Você Sabia?


Gringo

Uma interpretação curiosa. As primeiras locomotivas que foram importadas pelo Brasil eram de origem inglesa. Para explicar o funcionamento dessas máquinas aos brasileiros, os ingleses repetiam incansavelmente: "Red, stop. Green, go" ("Vermelho, pare. Verde, siga"). Os brasileiros, sem entender o que os ingleses diziam, passaram a apelidá-los com a frase que eles tanto repetiam: "Green, go". Daí surgiu a expressão "gringo", inicialmente usada para designar estrangeiros de língua inglesa e hoje comumente empregada para estrangeiros de qualquer nacionalidade.


Planejando para Crescer

A falta de um planejamento financeiro é o principal motivo que leva de 60% a 80% das empresas a fecharem antes de completar um ano de existência. Por não possuir um setor financeiro bem estruturado, a maioria dos microempresários não consegue prever nem mesmo um mês no futuro de suas empresas. Dessa forma, vivem "apagando incêndios" no dia-a-dia e não estabelecem uma visão de médio e longo prazos do seu negócio.

O problema é que muitos desses empresários têm uma visão distorcida sobre a área financeira, imaginando que esse setor se restringe à tesouraria. Outro erro freqüente é acreditar que o planejamento financeiro só deve existir em grandes empresas ou multinacionais. Na realidade, quanto menor a empresa, melhor deve ser o seu planejamento.

Nem sempre faturar mais significa lucrar mais. Pois, quando não existe um planejamento de custos, embora o faturamento possa estar aumentando, as despesas também aumentam e o lucro diminui. Por isso, é imprescindível a existência de um departamento financeiro para monitorar o crescimento da empresa e fazer também o planejamento de custos. Com isso, pode-se estabelecer o melhor preço para a mercadoria e obter, assim, um lucro real.

No caso das pequenas empresas, que não dispõem de um departamento específico, é vital que o empresário ou executivo que participa da administração saiba estruturar a área financeira. Para isso é necessário ter conhecimento sobre análise de balanços, custos, formação de preços, além de saber avaliar resultados e fluxo de caixa. Com essa capacitação, o empresário poderá fazer uma leitura mais imediata dos problemas da empresa com informações gerenciais, aplicando as medidas necessárias com maior rapidez e obtendo melhores resultados.

Renato Mazzini,
consultor do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Empresarial - Cedepe




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