Nº 137 Recife, 06 de Maio de 2000

"Enquanto o burocrata tem razão nove vezes em dez, o criativo erra nove vezes,
mas, quando acerta uma vez, está abrindo caminhos para a humanidade."
Domenico De Masi, sociólogo italiano


Como ser eficiente no e-mundo


Diariamente, somos bombardeados por novos conceitos, termos e nomenclaturas de processos que sempre existiram no "mundo real" e que, agora, são exportados e modelados para a dimensão virtual. E-business, e-commerce, e-buyers, e-sellers, e-company, e-procurement são alguns exemplos de palavras cada vez mais presentes no ambiente corporativo, o que está obrigando profissionais, empresas e organizações a se adaptarem, rapidamente, à vida no e-mundo. "O acesso a negócios pela Internet já foi um diferencial, mas hoje é uma obrigação", afirma a consultora da JCR & Calado, Ângela Cláudia Andrade. "Quem não estiver sendo visto na web, é descartado de imediato por muitas empresas que buscam contatos, parceiros e fornecedores."

Nesta nova realidade, segundo a consultora, não existe espaço para amadorismo. "O e-mundo exige uma nova postura dos profissionais e das organizações de todas as áreas. Temos que vislumbrar 'como' fazer parte e 'aonde' queremos chegar." Uma grande vantagem é que o tamanho da organização deixou de ser um diferencial. Funcionalidade e capacidade de adaptar-se a novos cenários é que fazem a diferença no mundo virtual. "A Amazon.com, por exemplo, começou em uma garagem. Ninguém fazia idéia de sua estrutura 'real' ao pedir um livro pela Internet. O importante é que ele chegava às mãos do cliente no prazo prometido."

Para a consultora, o escritório na web deve ser mais do que um site. Ele deve funcionar como uma vitrine bem elaborada e estruturada, mostrando todos os valores que a empresa quer transmitir. "É claro que os produtos e serviços devem estar à mostra, mas é preciso também passar ao internauta conceitos como confiabilidade, agilidade, avanço, inovação, vantagens, benefícios, segurança e competência."

Todo esse investimento, entretanto, será inócuo se o serviço real não for bem feito. Ao invés de somente vender o seu produto, diz Ângela Cláudia, as empresas devem buscar oferecer diferenciais de atendimento ao cliente, como entregas antes do prazo, descontos para as próximas compras, embalagem diferenciada, sigilo na transação, serviços adicionais, suporte para dúvidas, garantias, entre outros.

Todo cuidado, também, na comunicação. "É muito comum o cliente enviar um e-mail a uma empresa e nunca obter resposta. Como uma organização que não gerencia seu contato com os clientes pode ter o senso do que seja eficiência?". A consultora dá um último conselho para quem ainda reluta em levar o seu negócio para a Internet. "O nosso maior obstáculo é a falta de percepção do que temos em mãos. O mercado virtual não é um veículo de negócios do futuro mas, do hoje, do agora."



Na Ponta da Língua


Cuidado com as Siglas

Siglas estão por toda parte e sua grafia merece cuidado. Caso tenham apenas três letras, todas devem ficar em maiúscula: OAB; IAB, ITA, CBF, etc. Em maiúsculas também devem ficar aquelas que pronunciamos letra por letra, como INSS e ACSP. Caso as siglas formem uma palavra, grafam-se em caixa alta e baixa: Sudene, Fiepe, Fiesp, Empetur. Caso necessitem fazer plural, basta acrescentar um "s": PMs, OABs, IABs, Creas.
Conect@do


Homem Solteiro Formado

Homens com menos de 30 anos dominam as vagas das empresas pontocom brasileiras. Veja o perfil dos funcionários das empresas digitais, segundo pesquisa da Nexxy Capital Research: Idade: 29,6 anos; Salário: R$ 4.478,50; Homem: 78%; Tempo no emprego: 17 meses; Empregos que já teve: 2; Horas trabalhadas/dia: 10,5; Nível superior: 60%; Solteiros: 61%.

Não Deixe de Ler


Pequeno Porém Honesto

O pequeno livro Como Aplicar Conceitos de Marketing, da série Sucesso Profissional, publicado pela Publifolha, divisão de publicações do Grupo Folha, é uma dessas poucas obras de divulgação "ligeira" que vale a pena ler. Leve, fácil, direto, traz conceitos importantes sobre esta difícil disciplina que é o Marketing, explicados de uma maneira adequada, sem simplificações irresponsáveis e dentro de um espaço mínimo (72 páginas bastante ilustradas). Vale a pena conferir em qualquer banca de jornal.


McLuhan e as Novas "Galáxias"
"Chegam ao fim as velhas dicotomias entre cultura e tecnologia, entre arte e comércio, entre trabalho e lazer." McLuhan em Understanding Media

Vivo, vivíssimo, continua Marshall McLuhan diante das novas "galáxias" de comunicação que, graças ao desenvolvimento tecnológico, começam a brilhar no nosso horizonte. O tempo presente confirma sua visionária perspectiva. Os anos de sua posteridade só fazem consagrar algumas de suas idéias e conceitos, a exemplo da hoje praticamente anônima aldeia global. Líderes, gurus e intelectuais não têm outra opção, a não ser reconhecer-lhe um pioneirismo clarividente.

McLuhan é pedagógico, além de profético. Seu didatismo, mesmo quando simplificador, abre inúmeras clareiras de reflexão. Deixou-nos imagens e metáforas poderosas, capazes de estimular outras tantas mentes de igual quilate. O exemplo que nos ocorre de imediato é o de Bill Gates, cujo livro A Empresa na Velocidade do Pensamento inspira-se na imagem do sistema nervoso como campo unificado (tão cara a McLuhan) para observar as organizações como sistemas digitais.

Foi de McLuhan o alerta sobre a obsessão conteudística de nossa cultura livresca e gutemberguiana. Segundo ele, isso nos impediria de ver que as formas estão nos dizendo alguma coisa, que o "meio é a mensagem". Percebia que o conteúdo, magnetizando as atenções, jogava uma cortina de fumaça, ofuscando o brilho de novas formas que, há quarenta anos, já interagiam com a humanidade. Parecia, desse modo, nos dizer que é necessária uma saudável des-intelectualização para sentirmos e compreendermos melhor o que se passa à nossa volta.

Para usarmos uma expressão ao gosto de Gilberto Freyre, podemos afirmar que nosso autor viu "insurgências e ressurgências". Por outro lado, percebeu como a arte, a partir da famosa sugestão de Pound ("Os artistas são as antenas da raça"), estava melhor sintonizada para o que se desenhava no horizonte das comunicações. Foi igualmente o primeiro a entender que começavam a ruir, por força da Era Eletrônica, velhas dicotomias e obtusas polarizações. Se o hoje emérito Peter Drucker anuncia que a Era do Conhecimento anula o fosso entre os mundos intelectual e gerencial ("As pessoas instruídas terão que estar preparadas para viver e trabalhar simultaneamente em duas culturas - a do 'intelectual', que focaliza palavras e idéias, e a do 'gerente', que focaliza pessoas e trabalho." Sociedade Pós-Capitalista. São Paulo: Pioneira, 1997), não resistimos a ver em suas palavras os ecos proféticos de McLuhan.

Fiquemos atentos às novas "galáxias". Elas vieram para ficar. Sem dúvida, pressionam a velha irmã gutemberguiana, ajudando a rejuvenescê-la. Há um realinhamento em curso e uma criatividade "anônima" e "coletiva" começa a escrever uma nova História.

Paulo Gustavo,
sócio da Consultexto




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