Nº 136 Recife, 29 de Abril de 2000

"Há, verdadeiramente, duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe.
A ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância."
Hipócrates, 460-377 a.C., médico grego


Terceirizando o Arquivo Morto


O acesso rápido à informação é uma vantagem competitiva essencial a qualquer empresa ou organização nos dias atuais. Nesse contexto, o armazenamento adequado dos dados e o gerenciamento eficaz do arquivo ganham cada vez mais importância. "Assim como as empresas estão evoluindo para acompanhar o ritmo das mudanças no mercado, também o conceito de Arquivo Morto está mudando, para atender aos desafios das empresas em constante desenvolvimento", afirma a consultora Cléa Pimentel Dubeaux, da Informar Ltda., empresa especializada em documentação, integrante da Rede Gestão.

Para a consultora, as empresas estão produzindo massa documental em quantidades cada vez maiores, agravando a situação dos arquivos. Entre os motivos estão as exigências dos órgãos de fiscalização governamentais e o crescimento dos processos trabalhistas, que exigem a guarda de documentos que eventualmente possam ser utilizados pelo Departamento Jurídico. "O problema é que, muitas vezes, todo esse acervo é acumulado sem ordenação ou controle, em depósitos de papéis chamados de Arquivo Morto", observa. A desorganização termina dificultando ou, até mesmo, impedindo a consulta às informações necessárias, transformando o arquivo em uma massa de dados inócua, que apenas ocupa espaço físico dentro da empresa, junta sujeira, atraindo a atenção de ratos, baratas e, não raro, do inimigo mortal de qualquer coisa guardada, o temível cupim.

Para preservar a integridade física e obter maior eficácia de seus arquivos, muitas organizações estão recorrendo a novas modalidades de guarda de seus documentos empresariais. Trata-se da terceirização da armazenagem física de arquivos e documentos, uma solução cada vez mais comum por oferecer praticidade, economia e segurança na preservação de acervos arquivísticos. A utilização de recursos como código de barras e sistemas próprios de recuperação de informações possibilita a pesquisa de documentos e o acesso preciso à informação. "Isso gera uma significativa redução de recursos e de custos", analisa a consultora.

Além de liberar espaço na empresa para uso mais nobre, uma vantagem adicional da terceirização é que ela deve ser obrigatoriamente antecedida por uma consultoria para organização documental dos arquivos inativos, com destaque para a elaboração de Tabelas de Temporalidade Documental, que, a partir da análise dos aspectos legais envolvidos nos registros da informação, indicam o que deve ser preservado e por quanto tempo. Isso reduz o risco de litígios e evita o descarte de documentos que possuem valor de prova. "Guardando apenas o que é necessário e descartando documentos inúteis, é possível reduzir em cerca de 50% do custo de manutenção dos arquivos", afirma Cléa Dubeaux. Além de tornar mais acessíveis informações estratégicas, contribuindo para o aumento da competitividade da organização.



Você Sabia?


Assédio Moral

Depois da evidência do assédio sexual nas empresas, chegou a vez do assédio moral - o abuso de expressões ríspidas e palavrões na relação entre chefes, subordinados e colegas de trabalho. Uma pesquisa conduzida pela escola de negócios Kenan-Flager procurou comprovar os danos causados pela violência verbal. Dos funcionários submetidos a situações do gênero, 37% disseram que a dedicação ao trabalho diminuiu após o episódio e 46% pensaram seriamente em trocar de emprego, plano colocado em prática por 12%. Agora, já existe até manual de comportamento: o Cuss Control, o controle do hábito de praguejar, do consultor James O'Connor. Se você já estranhava a turma do politicamente correto, prepare-se, pois a nova onda, como todos os modismos americanos, tem tudo para chegar ao Brasil.
Fonte: revista Veja

Agenda


Seminário com Domenico de Masi

De 1 a 5 de julho, acontece, na Itália, o XVI Seminário de Verão, dedicado às ciências organizacionais sobre o futuro da cidadania. O evento recebe participantes de todo o mundo e, pela primeira vez, irá contar também com uma delegação brasileira, coordenada por Sônia Vilela. Os trabalhos na Itália são coordenados por Domenico de Masi, um dos consultores mais importantes do mundo na área de sociologia do trabalho. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3231.7339.

Cursos do INTG


Já estão abertas as inscrições para os seguintes cursos do Instituto de Tecnologia em Gestão (INTG):
1. Gestäo Operacional em Transporte, de 08.05 a 27.11. Local: Recife. Público-alvo: profissionais que supervisionam equipes de operação em empresas de transporte urbano de passageiros. Coordenadora: Cármen Cardoso.
2. Qualidade do Atendimento em Serviços de Saúde, a partir de 05.05. Local: Caruaru. Público-alvo: profissionais e gerentes de equipes de atendimento em serviços de saúde. Coordenadoras: Mírcia Carneiro e Vanderli Paes de Andrade.
3. Administraçäo do Tempo, dia 11 de maio. Local: Recife. Destinado a profissionais e gerentes, o curso irá ensinar como administrar o tempo gerencial de forma eficiente, aprendendo a definir prioridades e a gerenciar pelos resultados. Coordenador: Francisco Cunha. Mais informações pelos telefones: 3076.5324 (Recife) e 3722.6283 (Caruaru).


Quem precisa de quebra-galho?
Que é um "quebra-galho"? Essa expressão define uma pessoa ou um método supostamente capaz de destrinçar certos problemas que esperam por uma solução. Mas será que essa alternativa resolve de verdade os nossos problemas? Com certeza, não. O quebra-galho oferece soluções paliativas, de curto prazo, que, na maioria dos casos, trazem prejuízos futuros incalculáveis. Quantas vezes, por exemplo, pensando em pagar um preço barato, você levou o seu carro à oficina da esquina? E ali, se o profissional faltar, quase sempre existe alguém que pode quebrar o seu galho. Aceitar sempre é um mau negócio. Ou você volta com o mesmo problema ou outros problemas aparecem.

Por que o quebra-galho existe? Em primeiro lugar, porque um profissional bem preparado custa caro, e a maioria das empresas prefere empregar funcionários com salários baixos, sem pensar que, pagando apenas o volume de trabalho, nunca se consegue qualidade. Imagine um grupo de turistas que, em vez de viajar de ônibus, resolve dividir-se em cinco carroças, por um preço bem mais barato?! Quebra o galho, mas vale a pena?

A nossa sociedade sofre também com a falta de profissionais, gerada por falhas graves no sistema educacional. Faltam profissionais, faltam professores para formar tais pessoas e, o que é mais preocupante, falta o interesse dos nossos líderes de valorizar a profissão de mestre. Até na educação, vemos não poucas instituições de ensino empregarem um número absurdo de professores quebra-galho.

Como podemos nos livrar desses inconvenientes? Simples: investindo em educação, preparando de forma séria e competente os nossos filhos, os jovens e todos aqueles que integram o mercado de trabalho. Educando todas essas pessoas, abrimos, na verdade, os seus olhos para a dura realidade. Fácil de dizer e difícil de aceitar, porque esse tipo de investimento não traz resultados em dias, mas em décadas. Antes de tudo, precisamos conscientizar a sociedade sobre esses fatos. Precisamos entender que o falso profissional representa um grande obstáculo no caminho do progresso e do desenvolvimento, e que a educação constitui uma alavanca que tira a pedra do caminho, abrindo o nosso futuro.

Se deixarmos a educação de lado, impediremos que a sociedade possa conhecer o resto do mundo, e assim, nunca seremos capazes de perceber que, enquanto uns andam de ônibus, nós ainda andamos de carroça.

Não esqueçam, ninguém precisa de quebra-galhos!

Prof. Lucian Bogdan Bejan, DSc,
Coordenador dos Cursos de Graduação da Faculdade Boa Viagem




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