Nº 122 Recife, 21 de Janeiro de 2000

"A raça humana é governada por sua imaginação."
Napoleão Bonaparte, imperador francês


Certificação: uma estratégia para a competitividade na hotelaria


A globalização e a abertura dos mercados provocaram mudanças significativas em um segmento com grande potencial de crescimento no Brasil, no Nordeste e em Pernambuco: a indústria hoteleira. Em vigor desde o final de 1996, o processo de reclassificação da Embratur trouxe avanços no sentido de padronizar e elevar a qualidade da hotelaria no País, ao adotar normas internacionais como a ISO 9000. Mas, alertam os especialistas, a implantação dessas normas de Qualidade deve ser apenas o ponto de partida. "Hoje, não basta seguir os quesitos da matriz de classificação, é necessário monitorar o modelo implementado, adotando um 'Sistema da Qualidade', cuja melhor referência está na norma ISO 9002", alerta o engenheiro da Qualidade Demóstenes Paulo do Nascimento, gerente de Qualidade do Grupo Lucsim Hotéis.

Para manter-se competitivo, o hotel precisa acompanhar atentamente os cumprimentos das normas de Qualidade. Se no passado 90% dos itens avaliados para a concessão das "estrelas" diziam respeito à construção dos prédios, hoje quem fala mais alto é a qualidade dos serviços prestados. "Antes da reclassificação, era mais importante ter suítes de 200 metros quadrados do que exibir um serviço impecável", observa Demóstenes. "Atualmente, os hóspedes estão mais preocupados com a prestação de serviços, com o atendimento, que é a essência da hotelaria. Beleza e sofisticação são menos valorizados."

Para o gerente de Qualidade, um hotel em sintonia com as normas atuais de classificação deve preocupar-se tanto com o aspecto físico como com a gestão da Qualidade do serviço. "O princípio básico é estar totalmente focado no cliente", ressalta. Além disso, o hotel deve: (1) ter as atividades que afetam a qualidade do produto e dos serviços padronizadas e documentadas; (2) ter um sistema de controle de documentos que garanta a preservação e o uso adequado do conhecimento e da informação; (3) ter estabelecida uma rotina de avaliações ou auditorias internas; (4) dar um tratamento estratégico às questões de treinamento e qualificação da mão-de-obra; (5) dar garantia de que as falhas serão avaliadas de forma a evitar que se repitam; (6) garantir uma melhoria contínua da qualidade existente.

Para o especialista, apenas a implantação de um sistema de base sólida pode garantir o cumprimento dessas exigências - hoje, a única referência reconhecida internacionalmente é a série de normas ISO 9000. "A certificação da Qualidade é uma ferramenta indispensável para incrementar a competitividade na indústria hoteleira", garante Demóstenes.



Você Sabia?


Mau Atendimento

De acordo com um dos maiores especialistas em varejo da atualidade, John Tscholh, a principal razão pela qual os clientes deixam de comprar um produto é o mau atendimento. Caso se considerem mal atendidas, 40% das pessoas simplesmente saem da loja. Pior: espalham sua experiência negativa para, em média, outras onze pessoas. A qualidade do atendimento, acredite, influencia mais que o preço ou a qualidade do produto.

Fonte: Portal Venda Mais

Conect@do


Ainda Navegando no Trabalho

Outros números da pesquisa da vault.com sobre o uso da Internet para fins pessoais durante o horário de trabalho. Foram entrevistados 451 funcionários e 670 chefes: 54,2% dos funcionários disseram já ter sido flagrados pelo chefe enquanto navegavam na Web para fins pessoais (talvez muitos não tenham percebido, já que, entre os chefes, 79,8% afirmaram já ter flagrado um funcionário no ato). 53,2% dos funcionários acham ético a empresa monitorar o uso da Internet e do e-mail no trabalho (a proporção dos chefes que admitiram restringir ou monitorar o uso da Internet ou do e-mail dos funcionários foi menor, 41,5%). 72,2% dos funcionários não adotam nenhuma precaução para não serem pegos pelo chefe. 66,6% dos funcionários (e 50,2% dos chefes) não acham que o uso pessoal da Internet durante o expediente reduz a produtividade.

Na Ponta da Língua


Sempre "Há" no Passado

O uso do há e a ainda provoca muita confusão. Mas a regra é simples. Há indica passado e pode ser substituído por faz: Já a exprime tempo futuro ou distância (não pode ser substituído por faz): Chegou há duas horas/ Ela viajou há menos de uma semana. O avião chegará daqui a pouco /Ficou a pouco mais de dez metros do seu ídolo.


A Hora da Criatividade
Para o bem ou para o mal, estamos desembarcando na Era Pós-industrial. Entre as esperanças e boas notícias, os especialistas e estudiosos apontam para a superação de velhas dicotomias, realçando o caráter plural e inovador de um novo modus vivendi. Às atividades meramente repetitivas e mecânicas se sucedem várias outras que espelham e antecipam um mundo mais humano, onde, como já queria Lewis Mumford, "daremos à máquina o que é só da máquina e devolveremos à vida o que é da vida".

A ser verdade o que se prenuncia, a criatividade assumirá um papel decisivo na nossa vida diária, com importantes reflexos para a atividade empresarial. Domenico de Masi, por exemplo, prevê uma importante função para o estético. Com certeza, o refinamento das novas tecnologias, permitindo a livre e direta intervenção humana - ou seja, a inserção da subjetividade criadora nas relações de produção - fará eclodir ainda mais o que já se assiste: a personalização e a flexibilidade (serviços e produtos sob medida), criando, em muitos casos, uma espécie de vida artesanal tecnológica. Estranho? Nem tanto, se pensarmos nas formas híbridas e complexas que se vêm gestando nos laboratórios e que já pousam nas nossas prateleiras.

Mais que um componente implícito no processo de um produto, a criatividade, num mundo assim, passa a ser um fator decisivo e condicionante. As personalidades criativas terão lugar cativo em tal contexto, convocadas a transformarem matérias-primas, sejam estas serviços, produtos, informações, realidades. O mundo midiático, tão bem previsto por McLuhan (e hoje sacramentado por Manuel Castells) será plasmado, cada vez mais, por uma criatividade extensiva. Uma poeisis (criação) difusa se expandirá pelo tecido social, lembrando a cada homem seu quinhão de criador.

O que parece apenas profecia já se sabe que é uma realidade em vários níveis da sociedade informacional. Se, para esta, o conhecimento é a mola vital, nada mais razoável que a criatividade também ocupe um lugar nuclear. É praticamente uma evidência. Com certeza, a criatividade com seus valores e mecanismos - imaginação, fusão, associação, adaptação, transposição, inovação e tantos outros - terá muito a nos dizer. Com sua sociedade, as novas tecnologias poderão florescer para além das obviedades bem comportadas que se esperam de sistemas e máquinas.

Paulo Gustavo,
sócio da Consultexto




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