Nº 116 Recife, 16 de Dezembro de 2000

"Qualquer tonto pode fazer negócio,
mas é preciso gênio, fé e perseverança para criar uma marca."
David Ogilvy, publicitário inglês, 1911-1999


A Importância do Design na Consolidação da Marca


Milhares de empresas, produtos e serviços travam uma batalha diária árdua e permanente pela conquista do consumidor. Nessa guerra, uma ferramenta ainda subestimada por muita gente pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de qualquer projeto: o Design. A forma como a marca e seus produtos são apresentados ao público - desde a logomarca a embalagens, sinalização nos pontos-de-venda e material de comunicação - tem uma importância vital. "O Design deixou de ter um aspecto secundário e hoje é o grande diferencial das empresas", afirma João Roberto Peixe, designer e diretor da Multi Design, um dos primeiros escritórios brasileiros, fundado há 25 anos. "O Design expressa a qualidade de produtos e serviços, gera empatia, transmite mensagens. Enfim, vende." Peixe foi um dos palestrantes do Seminário Como Valorizar uma Marca, promovido esta semana pela Pires Advogados & Consultores e pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco, no Mar Hotel.

Segundo o designer, essa realidade ficou ainda mais evidente a partir da globalização e da queda das barreiras comerciais. "Muitos produtos brasileiros encontram dificuldades em conquistar fatias de mercado na Europa e nos Estados Unidos por não apresentarem um Design competitivo." Para encontrar soluções, o Governo Federal criou um programa específico para estimular o aperfeiçoamento do Design brasileiro e tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior.

Essa preocupação vale também para o mercado interno, seja a empresa uma grande corporação ou uma organização de pequeno porte. Todos devem estar conscientes de que, hoje, ter um produto de qualidade e um preço adequado ao seu público não são mais os únicos requisitos para conquistar e manter clientes. "Apenas quem tiver uma boa marca e preocupar-se com a sua apresentação eficiente ao mercado sobreviverá", prevê Peixe.

O ponto de partida é a criação de uma apresentação gráfica eficiente da marca. "A boa marca transmite confiança, gera uma relação de confiabilidade e fidelidade. A logomarca deve simbolizar todos esses valores", ensina Peixe. O passo seguinte é trabalhar o Design de forma integrada nos diversos elementos que compõem a identificação da empresa - como embalagens, placas, material publicitário, impressos, fardamento dos funcionários, entre outros. A sinergia de todos os elementos da comunicação visual ajuda a publicidade a fixar a marca na mente do consumidor e potencializa os resultados das ações de divulgação. "O Design permite que a empresa tenha uma identidade e comunique isso ao seu cliente. Na massificação de produtos e serviços gerada pela globalização, ser único pode fazer toda a diferença."



Você Sabia?


Proteção Legal da Marca

Além de cuidados com o Design e com a divulgação de sua marca, as empresas devem estar atentas a um outro aspecto muito importante: a proteção legal. Apenas 4% das empresas pernambucanas têm suas marcas registradas sob o ponto de vista da propriedade, segundo estimativa da Pires Advogados & Consultores. É comum empresas com anos de atuação no mercado serem obrigadas a mudar sua marca porque outra empresa a registrou. Quem não estiver juridicamente protegido pode ter muitos prejuízos.

Dica Importante


Como Destruir uma Marca

O consultor Jaime Troiano criou um manual eficiente para ensinar Como Destruir uma Marca em Dez Lições. São dicas que esbanjam ironia e chamam a atenção para o fato de que, se quiser sobreviver e manter-se no mercado, uma marca precisa de investimento e muitos cuidados:
1. Reduza sua verba de propaganda.
2. Contente-se com aquilo que seus vendedores e representantes dizem a respeito do mercado e da marca.
3. Amplie ao máximo as suas extensões de linha.
4. Mude constantemente de agência.
5. Delegue a função de gerir a marca exclusivamente ao pessoal de marketing.
6. Tenha sempre uma comunicação moderninha.
7. Gaste o mínimo indispensável em estudos de comportamento e pesquisa.
8. Concentre seu investimento de comunicação no ponto-de-venda.
9. Economize tudo o que for possível em design e embalagem.
10. Acredite que as marcas são fortes o suficiente para resistir a essas nove primeiras lições.

O Que Quer Dizer Mesmo?


Branding

As marcas tornaram-se tão importantes que, em muitos casos, constituem o principal ativo das empresas. O que dizer de marcas como Coca-Cola, Marlboro, McDonald's, Microsoft, IBM, Shell, entre tantas outras, que chegam a valer bilhões de dólares a mais do que todo o patrimônio da empresa? Por isso, o Branding - ou o gerenciamento estratégico da marca - tornou-se palavra obrigatória no dia-a-dia de muitas empresas e organizações. Branding é o conjunto de ações ligadas à administração das marcas, nas mais diversas áreas, com o objetivo de manter ou ampliar sua posição no mercado e consolidá-la cada vez mais na mente dos consumidores.


Contabilidade: uma breve viagem no tempo (final)
Nesta última década do século, surgem as chamadas empresas "pontocom", com suas características próprias, grande parte delas superavaliadas segundo as cotações de mercado. Por sua vez, as corporações do "mundo real" ficam cada vez mais automatizadas, em detrimento de mão-de-obra direta; técnicas sofisticadas de gerenciamento e fabricação são absorvidas rapidamente, pois a competição, agora, é globalizada. Dentro de igual unidade fabril, surgem modernas linhas de produção para atender à demanda crescente de novos produtos, com ciclos de vida cada vez menores e que incorporam mais e mais tecnologia.

Logicamente, todas essas mudanças radicais no ambiente interno e externo das empresas demandam novos sistemas contábeis, tanto gerenciais quanto financeiros, não necessariamente articulados entre si. Mas a contabilidade, dessa vez, não conseguiu acompanhar todas essas transformações.

A ciência da contabilidade tem como objetivo principal a informação relevante e tempestiva para nortear as decisões do público. Ou seja, de seu público interno - os administradores, os proprietários e os funcionários - e de seu público externo - os potenciais investidores, credores e o governo -, que têm, nesse momento, um grande desafio, mas, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade no desenvolvimento de modelos contábeis que atendam a esse novo ambiente, cheio de complexidades.

Provando que a história se repete, o país líder dessa nova revolução, os Estados Unidos, também produz os melhores pesquisadores, como o professor da Harvard Business School, Robert Kaplan, que criou um novo modelo de custeio: o custo baseado em atividades; e o balanced scorecard: um conjunto de medidas financeiras e operacionais de satisfação do cliente, processos internos e atividades voltadas para a melhoria e a inovação dentro da organização para mensurar mais precisamente o potencial das empresas. Ele parte do princípio de que organizações mais complexas exigem um conjunto de informações mais complexo, não se podendo mais confiar num único instrumento de comunicação.

Para a contabilidade dar esse salto de qualidade demandado pelo novo ambiente empresarial, faz-se necessário que esse contador de final de milênio tenha novas habilidades, como, por exemplo, a capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares e incorporar uma visão muito mais ampla e estratégica das empresas e do ambiente no qual elas estão inseridas. Para isso, é importante que o ambiente de formação permita ao estudante de Contabilidade uma integração que o leve a transitar por outras áreas afins do conhecimento, tais como Finanças, Economia, Gestão da Produção e Estratégia Empresarial.

A aprendizagem contínua, através de cursos de extensão e de pós-graduação, é fundamental. Primeiramente para acompanhar os grandes avanços da teoria e da prática da área, e depois, para obter um amadurecimento profissional necessário à inserção da pessoa num mercado de trabalho exigente.

O contador, agregando as habilidades demandadas pelo mercado, pode vir a se tornar, outra vez, um profissional dos mais respeitados e bem-remunerados do mercado, mas, para tanto, faz-se necessária a capacitação constante de mentes abertas para a realidade que se apresenta.

Como há cinco séculos, na época das expedições, e há aproximadamente dois séculos atrás, quando ocorreu a Revolução Industrial, estamos novamente diante de uma revolução sem precedentes, com o desenvolvimento de moderníssimas tecnologias de comunicação e informação. Portanto, a contabilidade, obrigatoriamente, pode e deve ter um papel central nesse momento de mudanças radicais, uma vez que, na sua essência, é uma ciência baseada em informação. Para tanto, urge que os contadores voltem às origens e adotem a mesma postura criativa e inovadora dos contadores daquelas duas épocas remotas.

Ary Avellar Diniz Júnior
Mestre em Finanças - FGV-SP Prof. de Finanças da FBV




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