Nº 115 Recife, 03 de Dezembro de 2000

"O mundo é das marcas e construir uma marca é construir um mundo."
Alexandre Gama, presidente da Neogama Comunicação


Rotatividade Não Gera Compromisso


Até bem pouco tempo, o bom emprego era aquele "para toda a vida". Construir a carreira numa mesma empresa era sinônimo de competência, sucesso e segurança. Mas desde que conceitos como globalização, nova economia e competitividade passaram a dominar o ambiente de negócios, as coisas mudaram. Hoje, muitos profissionais e executivos resistem à idéia de passar anos a fio ligados a uma mesma organização. Adotam a rotatividade como uma estratégia de suas carreiras e chegam a definir prazos máximos de permanência nas empresas.

Entretanto, esse jogo nem sempre traz resultados positivos para os dois lados. "Do ponto de vista do empregador, é muito pouco atrativo ter empregados que não tenham como traço diferencial a capacidade de construir vínculos de lealdade e comprometimento com o coletivo", observa a consultora Elane Cabral, da Agilis Seleção, integrante da Rede Gestão. Ou seja, o profissional modelo "passe livre", apesar de ser a última moda no mercado, deve ser visto com ressalvas.

Para Elane, a alta rotatividade nas empresas acaba fragilizando os vínculos e a identificação do profissional com um projeto coletivo. Também pode fazer do negócio um projeto de um "único dono", ou seja, de quem dirige a empresa. "Talvez a conseqüência mais grave dessa nova realidade seja o aumento do individualismo e, por conseguinte, o entrave ao desenvolvimento dos chamados times competitivos, nos quais os integrantes trabalham de maneira entrosada, com foco na realização da tarefa." E, é bom lembrar, times competitivos são, atualmente, um ponto central na gestão de empresas bem-sucedidas.

A consultora observa que vínculos estáveis não são sinônimo de acomodação. Pelo contrário, do ponto de vista psicológico, eles criam a base necessária para o investimento pessoal produtivo no projeto empresarial. O vínculo facilita o processo de identificação do profissional com a empresa e permite a estruturação das relações. "É por meio desse processo que ele constrói o seu espaço, exerce seu papel, assume suas funções; enfim, organiza-se para a tarefa."



Agenda


Como Valorizar Uma Marca

Na próxima terça-feira (05.12.2000), no Mar Hotel, acontece o Seminário Marca: Valor Econômico e Estratégias de Marketing, promovido pela Pires Advogados & Consultores e pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco - Sinapro. Reunindo algumas das maiores autoridades do País no assunto - como o consultor Jaime Troiano, o diretor de criação da Newcomm Bates, Stalimir Vieira, entre outros profissionais -, o seminário pretende abordar a importância do Design, do Marketing e da Propaganda na valorização das marcas. Inscrições e informações pela Internet (www.pires.adv.br) ou pelo telefone 3241.8055

Conect@do


Mentiras Digitais

Boa parte das correntes, alertas e denúncias que circulam na Internet não passam de boatos. Mas, apesar disso, milhões de internautas repassam esses spams diariamente, contribuindo para a lentidão na rede. Os jornalistas Rosana Hermann e Hermann Wecke foram checar os boatos, um a um, e enumeraram/desfizeram as principais mentiras digitais.
1. Grandes empresas não operam através de correspondências do tipo "corrente". Bill Gates não está oferecendo US$ 1.000,00, a Disney não está dando férias grátis, o celular Nokia e Motorola não têm vírus, usar celular na chuva não mata e a Ericsson não está dando celulares WAP para combater os concorrentes.
2. Não existe uma organização de seqüestradores de crianças em New Orleans. Ninguém está acordando numa banheira cheia de gelo para que seus órgãos sejam retirados.
3. Se o(s) último(s) desastre(s) de foguete da NASA espalharam partículas de plutônio na atmosfera, você acha realmente que esta informação chegaria ao público através de uma cadeia de e-mail pela AOL?
4. Não existe o vírus Good Times. Na verdade, você nunca, mas nunca mesmo, deve reenviar qualquer e-mail alertando sobre vírus antes de primeiro confirmar a informação em um site confiável de uma companhia real.
5. A McDonald's não oferece minhocas nem frita cérebros dos macacos na Polinésia. Também não usa carne de cavalo, embora muitos (nos EUA e na Europa) considerem essa carne saborosa e faz, até mesmo, parte do cardápio no dia-a-dia, assim como a carne de cachorro é o prato comum na Coréia. Também não cria animais acéfalos em laboratórios.

Na Ponta da Língua


"Cerca de"... Quantos?

"Cerca de 22 pessoas participaram do velório". A frase, errada, foi recentemente veiculada em um jornal de grande circulação nacional. O equívoco também é cometido por muita gente. Na verdade, "cerca de" é uma expressão que indica arredondamento e, por isso, não deve ser usada junto a números exatos. O correto seria: "Cerca de 20 pessoas participaram do velório".


Contabilidade: Uma Breve Viagem no Tempo (parte 2/3)
    O auge da contabilidade como ciência da informação acontece durante as duas primeiras décadas do século XX, quando surgiram algumas gigantescas firmas multidivisionais e integradas verticalmente, como a General Electric, a Du Pont e a General Motors. Essas grandes corporações, que executavam atividades complexas, necessitavam da alocação de seus recursos da forma mais eficiente possível; e índices como retorno sobre o investimento foram criados com essa finalidade. Novos sistemas contábeis gerenciais, cujas características básicas permanecem as mesmas até os dias de hoje, foram criados para dar suporte à rápida expansão de tais firmas.

A demanda por parte dos proprietários e de novos investidores por informações contábeis confiáveis cresce significativamente com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, no final da década de 20. Nesse instante, a contabilidade financeira ganha uma importância fundamental e torna-se cada vez mais conservadora, a fim de evitar a repetição de desastres como aquele.

A segunda metade do século XX é marcada pela estagnação no desenvolvimento da contabilidade. A preocupação dos contadores passa a ser com demonstrações contábeis articuladas com os sistemas de custeio; conservadorismo e precisão nos registros ganham mais importância do que a qualidade e o timing de informação. Pouco a pouco, a contabilidade restringe-se ao mundo dos contadores. A obsessão em "fechar" o balanço com uma precisão que tange à casa dos centésimos (prática essa que perdura até os nossos dias) retirou o foco da contabilidade da pesquisa contínua de soluções inéditas para os também inéditos problemas surgidos com o aparecimento de empresas e ambientes mais complexos.

Medidas contábil-financeiras, tradicionais e consagradas, como o ROI (Retorno sobre o Investimento) e o LPA (Lucro por Ação), podem apresentar resultados enganadores quanto ao futuro da empresa, pois seus administradores são progressivamente pressionados por bons resultados de curto prazo pelos proprietários e credores, ávidos por demonstrações a cada trimestre, relegando, assim, investimentos importantes para o crescimento no longo prazo. Os sistemas contábeis ainda são os mesmos adotados na primeira metade do século, tendo como diferença apenas o uso do computador para fazer tal tarefa.

Mesmo esse manuseio do computador, porque associado a sistemas arcaicos desenvolvidos há 80 ou até 100 anos, importa diagnósticos equivocados numa base mensal, trimestral, semestral, e assim por diante, dando a falsa impressão de que o aumento da freqüência de informação contábil aumentou sua qualidade. Imaginem se, por exemplo, o contador das expedições daquela época resolvesse ser mais "eficiente" e passasse a informar o desempenho financeiro da empreitada com balancetes trimestrais... Provavelmente, isso pouco ajudaria, e talvez Marco Polo enlouquecesse antes de chegar ao Oriente com os prejuízos apresentados nos primeiros trimestres, quando o negócio só apresentaria resultados negativos.

Ary Avellar Diniz Júnior
Mestre em Finanças - FGV-SP Professor de Finanças da FBV




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