Nº 113 Recife, 19 de Novembro de 2000

"Experiência não é aquilo que acontece com o homem;
é aquilo que o homem faz com aquilo que acontece com ele."
Aldous Huxley, escritor britânico, 1894-1963


Enfrentando os "Líderes de Barro"


Seja na história da humanidade ou no dia-a-dia das organizações, os líderes são personagens fundamentais. No ambiente de negócios, o líder tem poder e carisma para mobilizar, estimular, provocar mudanças e, conseqüentemente, ajudar muito a construir o sucesso da empresa. Mas, cuidado, há exceções.

"Assim como a História é marcada pelos seus líderes, sejam eles de paz ou de guerra, as organizações também refletem em sua cultura o peso ou a leveza de suas lideranças", diz Lilia Barbosa, consultora master da JCR & Calado Consultores, empresa associada a Deloitte Touche Tohmatsu. Todavia, segundo ela, é preciso muita atenção para distinguir a liderança legítima - aquela essencial para o bom desempenho das equipes - dos "líderes de barro", que podem minar os valores da organização, comprometendo seus resultados e sua competitividade.

As falsas lideranças, na avaliação da consultora, não se consideram parte da empresa, não acreditam em suas políticas ou valores e detêm uma falsa autenticidade, utilizada para influenciar os que estão à sua volta. "Os líderes de barro agem de forma sutil e poucas pessoas percebem, em tempo hábil, sua presença predadora no dia-a-dia da empresa", analisa. Em vez de atuarem como disseminadores de valores positivos da organização, agem de maneira dissimulada e terminam gerando desmotivação, descrédito nas políticas internas e conflitos. "Os líderes de barro idolatram suas vitórias, mas, diante dos erros, sempre culpam o colega mais próximo".

Na opinião da consultora, para lidar com as lideranças inadequadas, a empresa precisa cuidar de monitorar o clima e prospectar a cultura organizacional. Periodicamente, vale a pena "diagnosticar os sentimentos das equipes, por meio de pesquisas com foco qualitativo (entrevistas e reuniões) e quantitativo (aplicação de questionários)". Identificados os problemas, deve haver, também, um plano de ação para resolvê-los. Isso porque "as pesquisas de clima provocam expectativas em toda a organização. Logo, se os gestores não tiverem certeza que vão agir para mudar o que está errado, é melhor não fazê-las".

Para Lilia, despertar o sentimento das equipes em prol da organização é uma das ações mais eficazes para neutralizar a atuação negativa dos líderes de barro. "Ao criar uma cultura coesa, sem arestas e transparente, a organização desestimula o aparecimento das falsas lideranças. Elas, simplesmente, não encontram mais espaço para existir."



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Com Estilo


No Elevador

Você preocupa-se com as boas maneiras à mesa, no ambiente de trabalho, nos encontros de negócios, mas... e no elevador? Essas pequenas viagens costumam ser um campo fértil para gafes e escorregadas que podem comprometer a sua imagem profissional. Veja algumas dicas para se comportar bem no elevador:
1. Seja discreto. Não faça comentários sobre problemas pessoais ou de trabalho com seu colega. Nunca se sabe quem pode estar ouvindo.
2. Não atenda celular no elevador. O sinal nunca é bom o que, invariavelmente, leva o interlocutor a levantar a voz. É desagradável para quem está do lado.
3. Não segure a porta para continuar a conversa. Pode parecer óbvio, mas muita gente ainda desconhece que elevador não é local para bate-papo. Isso demonstra uma falta de educação e de respeito com os outros.
4. Não tenha pressa. Essa é uma regra básica de educação no elevador: você só deve entrar depois que todos já tiverem saído.
Fonte: Adaptado da revista Veja 25/10/2000

Você Sabia?


Informação Demais

Se toda informação existente hoje no mundo (transmissões de rádio e TV, músicas, livros, jornais, revistas e a informação digital já arquivada) pudesse ser armazenada junta, seriam necessários 12 exabytes de memória (um byte seguido de 18 zeros). Algo como três milhões de quilômetros de altura de disquetes empilhados uns sobre os outros. O mais incrível: esse volume dobrará de tamanho em dois anos e meio. Haja tempo para lidar com a "parte que nos cabe desse latifúndio". Fonte: revista Ícaro


Anos de Experiência
    Ao contrário do que se possa pensar, a experiência continua sendo um enorme diferencial competitivo para profissionais que buscam espaço nesta nova "era digital". Embora os "novos talentos" ascendam cada vez mais rápido e, com poucos anos de vida empresarial, passem a ocupar cargos de alta responsabilidade, deixando para trás, e de boca aberta, pessoas que, pelo tempo de mercado, seriam, em tese, as melhores opções para cargos de direção, não se pode negar que a vivência empresarial possui um valor acima de qualquer suspeita.

Mas por que as empresas têm optado por pessoas mais jovens? Por que, em geral, as organizações que decidem trabalhar com profissionais "menos experientes" são as que acumulam cases de sucesso?

Acredito que isso acontece, entre outras coisas, porque as pessoas mais velhas não sabem potencializar a experiência acumulada, não conseguem utilizar de forma empreendedora o conhecimento adquirido ao longo dos anos. E, principalmente, porque, em muitos casos, parecem ter experiência quando, na verdade, não têm.

Isso mesmo. Muita gente confunde "dez anos de experiência com um ano de experiência repetido dez vezes." E isso é o que faz a grande diferença. Aquilo que seria uma grande força passa a ser um grande inimigo.

Os anos de experiência (coisa que um jovem profissional jamais poderá adquirir em um programa trainee, por melhor que ele seja) muitas vezes deixam de ser uma força e acabam se transformando numa combinação mortal de comodidade e conformidade. Quando isso acontece, o profissional "experiente" entra numa situação difícil porque deixa de possuir uma qualidade essencial para o trabalho nos dias de hoje: a disposição para mudanças.

Portanto, profissional experiente, cuidado com a ilusão de confundir "anos de experiência" com acomodação. Mantenha-se sempre atualizado e dinâmico. Com isso, profissional jovem algum o alcançará.

Luiz Carlos Bernhoeft Jr.
diretor da Bernhoeft Assessoria e Consultoria Contábil




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