Nº 112 Recife, 12 de Novembro de 2000

"...as que têm mais êxito são as empresas com funcionários mais felizes,
pois onde são mais felizes são mais criativos - e, portanto, mais eficientes."
Domenico De Masi, sociólogo italiano


Atendendo Bem o Cliente Interno


Atender às necessidades e superar as expectativas do cliente sempre foi o objetivo de toda empresa preocupada em obter bons resultados e tornar-se bem-sucedida. O que muitas organizações estão percebendo é que não basta tratar bem apenas o cliente que vem à procura de seus produtos ou serviços. Encarar o funcionário como um cliente interno, buscando sempre a sua satisfação e bem- estar, é hoje uma regra básica em qualquer empresa preocupada em aperfeiçoar sua capacidade de competir.

De acordo com a consultora Edna Monteiro, da E&R Consultoria, integrante da Rede Gestão, até pouco tempo a realidade era outra. A construção de vínculos com os funcionários era uma estratégia pouco utilizada. "A idéia vigente era: se o empregado não se adaptar, basta trocá-lo por outro, já que sempre há muita gente precisando de emprego". Mas, afirma a consultora, as organizações perceberam que a alta rotatividade, na prática, só traz prejuízos. "Além de onerosa, inviabiliza a construção de um bom relacionamento e impede a criação de times competitivos na empresa".

Para Edna, encarar o empregado como um cliente interno é fundamental por um simples motivo: o compromisso do funcionário com os resultados está diretamente ligado ao seu grau de satisfação na empresa onde trabalha. Para alcançar essa meta, a consultora dá algumas dicas. O administrador ou gerente deve estruturar sua equipe com todos os cuidados de quem constrói um time para vencer. Reforçá-la com permanentes investimentos em treinamentos e na qualidade das relações e das condições de trabalho. Fazer com que seus empregados se orgulhem da sua empresa, tornando-se "marqueteiros de plantão" do seu negócio.

"Se os empregados são os primeiros a falar bem da sua empresa, com certeza fica mais fácil atender bem os demais agentes envolvidos no negócio, como fornecedores, clientes e comunidade".



Na Ponta da Língua


"Ao Meu Ver"

"Ao meu ver, essa frase está errada." E está mesmo, embora muita gente insista em usar a construção equivocada. Não existe artigo nessa expressão. O correto é: a meu ver, a seu ver, a nosso ver.

Conect@ado


Acertando na Página Errada

Fazer publicidade criativa na Internet tem sido um grande desafio para os marqueteiros. Recentemente, a Heineken deu um golpe de mestre na campanha de divulgação de uma de suas marcas de cerveja, a Murphy's Irish Red, com uma idéia genial. A empresa simplesmente "comprou" as páginas de mensagens de erro de vários sites. Quando o internauta recebia a mensagem de uma página que não pôde ser encontrada (o famoso 404 - page not found), aparecia a propaganda: "A página que você procura não está disponível. Mas você encontrou algo ainda melhor: uma garrafa grátis de Murphy's Irish Beer para compartilhar com seus amigos". Aí era só clicar, visitar o site da Murphy's, fazer seu cadastro e imprimir um cupom, a ser trocado nos varejistas que participavam da promoção. O sucesso da campanha, realizada na Holanda, foi devastador. A promoção também aproveitava para juntar o nome da cerveja (Murphy) com o erro (404) e pedia contribuições criativas para novas Leis de Murphy (Lei de Murphy é aquela que diz: se alguma coisa pode dar errado, é certo que dará). Detalhe: a promoção saiu quase de graça. As páginas de erro foram adquiridas por custos irrisórios.

Dica Importante


Bom Senso, Simpatia, Honestidade

Em uma entrevista, perguntaram a Michael Bloomberg - o fundador de um império de informações financeiras e comunicações que fatura US$ 2 bilhões por ano - quais as características das pessoas que ele gostaria que trabalhassem em sua organização. Resposta. "Em primeiro lugar, bom senso. Há gente que limpa banheiros e gente que escreve sofisticados programas para rede de computadores. Em ambas as profissões é preciso ter bom senso. Outra coisa necessária é ter gente simpática, capaz de um bom relacionamento. A terceira coisa é honestidade. Disso nem se fala. A partir daí, você começa a olhar as qualidades técnicas e a capacidade para executar o trabalho". Fonte: Revista Exame


Investimentos em Educação:
Vale a Pena?
    Será que um dia os países pobres, como o Brasil, irão alcançar os ricos? Por que alguns países são mais ricos do que outros? Os economistas, nos últimos anos, vêm travando um acirrado debate sobre o estudo do crescimento econômico, visando determinar quais as melhores formas de promover a expansão econômica de uma nação. Observou-se que o acúmulo de capital e o progresso tecnológico estão entre os principais elementos propulsores do desenvolvimento econômico.

Mas, o que é capital? Para um país crescer é preciso que a economia produza mais bens e serviços, isto é, é necessário um aumento do Produto Interno Bruto (PIB). São essenciais fábricas, máquinas, equipamentos, computadores, etc. A fim de aumentar a capacidade produtiva da economia, são importantes investimentos em capital físico. Mas quem vai operar tais máquinas? Um outro tipo de capital, o humano. Sim, você faz parte do que os economistas chamam de capital humano. E é esse capital que está sendo apontado como um dos pilares do crescimento econômico das nações.

Nesse contexto, um estoque de capital humano, com bom nível de habilidades e treinamento, passou a ser um elemento-chave para o enriquecimento de um país. E a melhor forma para se alcançar isso é a educação escolar. Em um mundo globalizado onde a Internet foi incorporada ao dia-a-dia dos cidadãos, se requer, cada vez mais, o manejo das aptidões intelectuais, ou seja, as pessoas atualmente dependem mais de idéias do que de ativos físicos. Ter um bom nível educacional tornou-se um divisor de águas para a trajetória dos profissionais que buscam um lugar de destaque nesse mundo competitivo.

No século 21, o desafio do Brasil vai ser ampliar seu estoque de capital humano através de uma postura agressiva nos investimentos em educação, a fim de pegar um atalho para o caminho do desenvolvimento econômico de longo prazo e a conseqüente elevação do padrão de vida da sociedade.

Logo, vale a pena investir em educação. Você, que está em uma escola, faculdade ou curso técnico, pode acreditar: seu investimento terá retorno. E no futuro, saberemos a resposta da pergunta feita no início desse texto: sim, o Brasil pode alcançar os países ricos.

Marcelo Andrade B. Barros
Professor de Economia Faculdade Boa Viagem - FBV




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